Torah Ohr · Parshas Vayechi · Maamar 1
יהודה אתה יודוך אחיך וגו׳
“Yehudah, tu — teus irmãos te reconhecerão”
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Traduzida por IA a partir de nossa edição em inglês e, em seguida, conferida e corrigida em várias etapas com base no inglês e no hebraico. A edição em inglês está sendo revisada por leitores humanos. Se você conhece bem este idioma, ficaríamos gratos por sua ajuda na revisão desta tradução. Voluntariar-se para revisar
A ideia central
Yehudah representa o reconhecimento (hoda’ah): uma autoanulação (bitul) diante de D'us que está acima do amor e do temor, expressa nas inclinações e no silêncio da Shemoneh Esreh [a oração das dezoito bênçãos]. Ela se revela como “tu” somente após o trabalho de seus irmãos Reuven, Shimon e Levi: amor, temor e a Torá, que correspondem às orações que precedem a Shemoneh Esreh.
O maamar em resumo
Yaakov abençoa Yehudah, cujo nome significa reconhecimento: “teus irmãos te reconhecerão”. Leah só lhe deu esse nome depois que Reuven, Shimon e Levi nasceram; também na alma, os irmãos vêm primeiro. Reuven significa “ver”: contemplar a grandeza de D'us até que o mero conhecimento se transforme em amor sentido, razão pela qual Pesukei deZimra [versículos de louvor] precede o Shema [“Ouve, Israel”]. Esse amor é o anseio de um baal teshuvah [aquele que retorna a D'us], uma alma que desceu aos limites de um corpo e anseia por retornar; sua amargura atrai em resposta um amor do Alto. Shimon significa “ouvir” de longe: humildade e temor, correspondentes ao segundo parágrafo do Shema. Levi, que significa “unir-se”, é a Torá, louvada em Emes VeYatziv [“verdadeiro e firme”], por meio da qual a Luz Infinita (Or Ein Sof) desce por si só até uma pessoa que se sente indigna de ascender. Os três permanecem dentro da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin). Yehudah é bitul na luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), a inclinação da Shemoneh Esreh, e os irmãos fazem com que ele se revele. Esse bitul permite à pessoa lidar com as necessidades mundanas “pela nuca”, e não com o rosto. O estudo da Torá e a bondade, “filhos de teu pai”, fortalecem todo o processo.
Esquema
- O nome YehudahYehudah é o reconhecimento enraizado acima do tempo; ele depende dos irmãos que nasceram antes dele, começando por Reuven, “aquele que vê”, o que faz surgir o amor.¶1
- Reuven: ver e amarContemplar a grandeza de D'us em Pesukei deZimra e em Yotzer Or transforma o conhecimento em visão e dá origem ao amor do Shema.¶2–3
- O amor como retornoO amor com ambas as inclinações é o amor de um baal teshuvah; a amargura da alma por sua descida atrai em resposta um amor do Alto, até que seu fogo seja absorvido pela Luz Infinita.¶4–6
- Shimon e LeviShimon é ouvir de longe — temor e humildade — e corresponde ao segundo parágrafo do Shema; Levi, que significa união, é expresso em Emes VeYatziv.¶7–8
- Levi: a ToráPor meio da Torá, a Luz Infinita desce por si só, de modo que mesmo uma pessoa incapaz de ascender ainda pode atraí-la para baixo, sobre sua alma.¶9–10
- Yehudah: bitul na oraçãoOs três irmãos pertencem à luz que preenche os mundos; o bitul de Yehudah pertence à luz que os circunda, e os irmãos fazem com que ele se revele na Shemoneh Esreh. Uma observação entre parênteses distingue esse reconhecimento do tipo inferior.¶11–12
- “Tua mão sobre a nuca de teus inimigos”O bitul revelado na oração permite à pessoa lidar com as necessidades mundanas “pela nuca”, de modo que permaneça uma impressão da oração e a escuridão se transforme em luz.¶13–14
- “Os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti”O estudo da Torá e os atos de bondade, frutos da sabedoria e da compaixão de D'us, atraem e revelam o reconhecimento de Yehudah.¶15
Conceitos-chave
- Reconhecimento (hoda’ah)הודאה
- A qualidade de Yehudah: em sua forma superior, é a autoanulação diante de D'us que está acima do amor e do temor, expressa nas inclinações da Shemoneh Esreh.
- Ver e ouvirראיה ושמיעה
- Reuven e Shimon: ver é de perto e dá origem ao amor; ouvir é de longe e dá origem ao temor.
- Correr e retornar (ratzo and shov)רצוא ושוב
- O movimento da alma em direção a D'us pelo amor e seu recuo em temor humilde, correspondentes ao primeiro e ao segundo parágrafos do Shema.
- A luz que preenche todos os mundos e a luz que circunda todos os mundosממלא כל עלמין וסובב כל עלמין
- O amor, o temor e a descida da Torá pertencem à luz que entra nos mundos; o bitul de Yehudah alcança a luz que os circunda, diante da qual tudo é igual.
- Teshuvá (retorno)תשובה
- Não é apenas reparar o pecado, mas o retorno de cada alma dos limites do corpo à sua fonte; a amargura desse retorno intensifica o amor.
- Rosto e nucaפנים ועורף
- Fazer algo com o coração e a alma, ou fazê-lo com relutância, de costas; as necessidades mundanas devem ser tratadas somente “pela nuca”.
O nome Yehudah ¶1
1יהודה אתה1 יודוך אחיך2 וגו׳. הנה יהודה3 נקרא ע״ש [על שם] הפעם אודה4 והוא בחי׳ הודי׳ שבכללות נש״י [נשמות ישראל] מודים אנחנו לך5 ואנחנו כורעים ומשתחוים ומודים.
“Yehudah, tu — teus irmãos te reconhecerão”, etc. Ora, Yehudah recebeu esse nome por causa de “Desta vez reconhecerei” (odeh); isso corresponde à qualidade do reconhecimento (hodaá) presente em todas as almas de Israel: “Nós Te reconhecemos” e “dobramos os joelhos, inclinamo-nos e reconhecemos”.
O maamar começa com a bênção de Yaakov a Yehudah, cujo nome a Torá relaciona às palavras de Leah ao nascer Yehudah: “Desta vez reconhecerei”. O Alter Rebbe identifica isso com hodaá, o reconhecimento presente em toda alma judaica, expresso na oração: “Nós Te reconhecemos” (Modim), na Amidá, e “dobramos os joelhos, inclinamo-nos e reconhecemos”, em Aleinu.
אלא שלמטה לפי שהוא תחת הזמן נק׳ הפעם אודה שלא כל העתים שוות. אבל למעלה במקור חוצב6 נשמותיהם הוא למעלה מן הזמן ושם נק׳ יהודה כי היו״ד מורה על ההוה כמו ככה יעשה איוב.7
Só que, abaixo, por estar sujeita ao tempo, ela é chamada “Desta vez (hapa’am) reconhecerei”, pois nem todos os momentos são iguais. Acima, porém, na fonte da qual suas almas são talhadas, ela está acima do tempo; ali, é chamada Yehudah, pois a letra yud indica o presente, como em “Assim fazia Iyov (ya’aseh)”.
Abaixo, neste mundo, o reconhecimento da alma está preso ao tempo: “desta vez” implica que um momento difere de outro. Na fonte da alma, acima, que está além do tempo, o nome é Yehudah, cujo yud inicial indica um presente contínuo, como no versículo que diz que Iyov oferecia sacrifícios continuamente: “Assim fazia Iyov”.
ויהי׳ [ויהיה] פי׳ המלה כמו יודה בתוס׳ [בתוספת] ה׳ יהודה8 ((ובנחמי׳ [ובנחמיה] י״א) נכתב יהודה בסגול9 תחת הדל״ת)1011
E o sentido da palavra seria como yodeh [“ele reconhece”], com o acréscimo de um hei: Yehudah. (E em Nechemiah 11, Yehudah está escrito com um segol sob o dalet.)
Lido dessa maneira, o nome Yehudah deriva do verbo yodeh, “ele reconhece”, com o acréscimo de um hei: um reconhecimento que nunca cessa. O parêntese acrescenta apoio a partir de Nechemiah 11, onde as mesmas letras são vocalizadas como um verbo, com um segol sob o dalet.
E o sentido de “Desta vez reconhecerei” é [que isso ocorre] depois do nascimento e da revelação dos níveis de Reuven, Shimon e Levi, pois são eles mesmos que causam essa qualidade de reconhecimento.
Leah disse “Desta vez reconhecerei” somente depois do nascimento de Reuven, Shimon e Levi. Da mesma forma, o pleno reconhecimento de Yehudah manifesta-se na alma somente depois que as qualidades representadas por esses três irmãos nascem e são reveladas, pois são elas que o causam.
וזהו יודוך אחיך. וביאור ענין זה הנה ראובן הוא ע״ש [על שם] ראו בן בחי׳ ראיה ובחי׳ ראיה זו היא הגורמת המשכת בחי׳ האהבה.15
E este é [o sentido de] “teus irmãos te reconhecerão”. A explicação disso é a seguinte: Reuven recebeu esse nome por causa de “Vede, um filho” (re’u ben), o nível da visão (re’iyah); e esse nível de visão é o que provoca a emanação do nível do amor.
É por isso que o versículo diz “teus irmãos te reconhecerão”: os irmãos são a causa do reconhecimento de Yehudah. A explicação começa com Reuven, cujo nome é lido como re’u ben, “vede, um filho”; Reuven representa a visão, e a visão é o que faz emanar o amor.
כמ״ש פני אריה אל הימין1617 אריה אותיות ראיה18 וכן היה דגל מחנה ראובן תימנה19 כי ענין ראיה הוא ענין התקרבות דרך חיבה כמ״ש כבכורה בתאנה בראשיתה ראיתי אבותיכם20 כו׳.21
Como está escrito: “A face de um leão à direita”; aryeh (leão) contém as mesmas letras que re’iyah (visão). E, da mesma forma, o estandarte do acampamento de Reuven ficava ao sul. Pois a visão é uma forma de aproximação afetuosa, como está escrito: “Como o figo temporão na figueira, em sua primeira estação, vi vossos pais”, etc.
Dois sinais relacionam Reuven e a visão ao lado direito: o leão (aryeh) à direita, na visão da Carruagem de Yechezkel, contém as mesmas letras que re’iyah, “visão”; e o acampamento de Reuven no deserto ficava ao sul, que corresponde ao lado direito. A visão aproxima e desperta afeição, como quando D'us diz que “viu” os antepassados de Israel com o deleite com que se aprecia o primeiro figo temporão.
O parágrafo interpreta o nome Yehudah como reconhecimento constante, enraizado acima do tempo, e mostra que esse reconhecimento depende dos três irmãos nascidos antes dele. Começa com Reuven, a qualidade da visão que faz emanar o amor.
Segundo a nota da Kehot, este maamar foi dito em 5566 (1805–06), em Liadi; um manuscrito o registra sob a Parashat Vayechi 5567. A nota acrescenta que dois maamarim em Maamarei Admur HaEmtzai com as mesmas palavras iniciais se baseiam neste, e que um maamar do inverno de 5738 assinala uma alusão no fato de Torah Ohr iniciar esta parashá com o versículo “Yehudah, tu”.
Marei mekomot
- 1יהודה אתה · המאמר הוא משנת תקס״ו — ראה ברשימת המאמרים בסה״מ שם הערה 7. ובכת״י 2067 יא, ב נרשם: פ׳ ויחי תקס״ז. ובבוך 2223 נה, א: שנת תקסו לפ״ק בלאדי. הנחת ר׳ משה בן אדה״ז בסה״מ תקס״ו ח״א. ראה לעיל בציונים לכ״ק אדמו״ר זי״ע. הגהות וביאורי וקיצורי הצ״צ אוה״ת בראשית כרך ה תתקצז, א ואילך. תתרה, ב. כרך ו תתשלח. ד״ה זה: ראה בסה״מ תרפ״ח. בסה״מ חורף תשל״ח (נדפס בלקו״ש ח״כ ע׳ 347). וראה שם בסיום המאמר הרמז בזה שהתחלת הסדרה בתו״א היא בהפסוק יהודא אתה. ד״ה יהודא אתה תשמ״ו. ד״ה יהודא אתה במאמרי אדה״א בראשית ע׳ תצז וע׳ תקל מיוסדים על מאמר זה. ראה סה״מ פר״ת ע׳ ריז.
- 2יהודה אתה יודוך אחיך · Genesis 49:8
- 3הנה יהודה נק׳ · ראה במילואים ליהל אור ע׳ תרלד. ועיין מענין הודאה בסידור בד״ה מזמור לתודה. ובדרוש ל״ג בעומר. וראה גם בלקו״ת פ׳ עקב בדרוש ברהמ״ז בענין ברכת הארץ שמתחלת בהודאה נודה לך. ובלקוטי שיחות לפ׳ וישב ח״ו ע׳ 195 הערה 77.
- 4הפעם אודה · Genesis 29:35
- 5מודים אנחנו לך · Weekday Siddur Chabad, Shacharit, The Amidah 29
- 6שו״ה נק׳ הפעם — חוצב · בבוך 633 ליתא תי׳ זו.
- 7ככה יעשה איוב · Job 1:5
- 8שו״ה יהודה — ויהי׳ פי׳ · בבוך 414: [פי׳.
- 9(ובנחמי׳ יא) נכתב יהודה בסגול · וכ״ה בשערי אורה כ, ב. מציין לפסוק זה. אבל במאמרי אדה״א בראשית ע׳ תצז ובעוד מקומות (ראה במ״מ לאדה״א שם) מצויין: ”בד״ה תי׳ יהודה בחולם”. ע״ש. להעיר שבהנחת ר׳ משה בן אדה״ז בסה״מ תקס״ו ע׳ רה ליתא כל הענין.
- 10שו״ה ההוה — נכתב בתוס׳ . . הדל״ת) · בבוך 414. 633 ליתא.
- 11(ובנחמי׳ י״א) נכתב יהודה בסגול תחת הדל״ת · בבוך 1824: בתוסף ה׳ יהודה. וכ״ה במאמרי אדה״א בראשית ע׳ תצז ושם ”והוא מ״ש בד״ה תיבת יהודה בחולם על הוי״ו”. וראה בהנסמן לשם.
- 12שו״ה אודה — הם הגורמים לבחי׳ · בבוך 633: הם ממשיכים בחי׳.
- 13שו״ה הגורמים — לבחי׳ · בבוך 414 ליתא.
- 14שו״ה יהודה · בבוך 414: יהודה].
- 15ראובן . . האהבה · ראה ד״ה יהודה אתה תרפ״ח. ספר המאמרים תש״ח ע׳ 155.
- 16פני ארי׳ אל הימין · Ezekiel 1:10
- 17
- 18אריה אותיות ראיה · Tikkunei Zohar, Tikkun 70 · 121b:1
- 19דגל מחנה ראובן תימנה · Numbers 2:10
- 20כבכורה בתאנה בראשיתה ראיתי אבותיכם · Hosea 9:10
- 21
Reuven: ver e amar ¶2–3
E este é [o sentido de] “Pois Havayá viu”, etc., “pois agora meu marido me amará”, etc.
Leah deu a Reuven o nome que lhe deu, dizendo: “Pois Havayá viu minha aflição; pois agora meu marido me amará.” O Alter Rebe lê isso como o padrão de Reuven, no qual o “ver” de D'us desperta o amor.
וענין המשכה זו בכנ״י [בכנסת ישראל] הוא בחי׳ לאסתכלא ביקרא דמלכא לעורר את האהבה עד שתחפץ לדבקה בו ית׳ ועד״ז נתקנו פסוד״ז [פסוקי דזמרה] ויוצר אור קודם ק״ש [קריאת שמע] כדי שיבוא לקיום ואהבת בק״ש [בקריאת שמע].
E esta extensão na Congregação de Israel (Knesses Yisrael) é o aspecto de “contemplar a glória do Rei”, para despertar o amor até que este deseje apegar-se a Ele, bendito seja. E foi por isso que os Versículos de Louvor (Pesukei deZimra) e [a bênção] Yotzer Or foram instituídos antes do Shema, para que se chegue ao cumprimento de “E amarás” no Shema.
Dentro da Congregação de Israel (Knesses Yisrael), a alma coletiva do povo judeu, esta extensão é “contemplar a glória do Rei”: meditar sobre a grandeza de D'us até que o amor desperte e a pessoa queira apegar-se a Ele. É por isso que os Versículos de Louvor e a bênção Yotzer Or, que descrevem a grandeza de D'us, vêm antes do Shema, cujo primeiro parágrafo ordena: “E amarás”.
כי עיקר הכוונה בספור שבחו של מקום הוא כי לא די בידיעה לבדה לפי שהיא בחי׳ העלם ואפי׳ [ואפילו] גנבא אפום מחתרתא2 וכו׳
Pois o propósito principal de narrar o louvor do Onipresente é mostrar que o conhecimento, por si só, não basta, pois é um estado de ocultamento; e até mesmo “um ladrão à boca do túnel”, etc.
Saber apenas que D'us existe não produz amor, porque esse conhecimento permanece oculto e não comove o coração. A prova é o dito sobre o ladrão que clama a D'us por auxílio à entrada do túnel que cavou: ele conhece D'us, mas seu conhecimento não muda o que faz.
ולא יבוא לקיום ואהבת כ״א כשיצא מההעלם אל הגלוי ומבחי׳ ידיעה לבחי׳ ראיה ממש שהוא בחי׳ גילוי לאסתכלא דוקא והיינו ע״י שירבה לספר בשבחיו יתברך ולהעמיק דעתו איך שמלכותך מלכות כל עולמים.3
E não chegará ao cumprimento de “E amarás” a menos que saia do ocultamento para a revelação, e do nível do conhecimento ao nível da visão efetiva, que é o nível da revelação — especificamente, “contemplar”. Isto é, falando longamente de Seus louvores, bendito seja Ele, e aprofundando sua reflexão [sobre] como “Teu reinado é um reinado sobre todos os mundos”:
O amor só surge quando o conhecimento se torna “visão”, uma visão vívida o bastante para ser sentida, que é o que significa “contemplar”. A pessoa chega a isso demorando-se nos louvores de D'us e meditando profundamente sobre como Seu reinado se estende por todos os mundos.
אלף אלפים ורבו רבבן4 כו׳ והוא לבדו ית׳ הוא יחיד ומיוחד כמו קודם שנברא העולם. כמאמר יחיד חי העולמים מלך5 כו׳.678
“Milhares de milhares e miríades de miríades”, etc.; e somente Ele, bendito seja, é único e singular, assim como era antes de o mundo ser criado, conforme as palavras: “Único, Vida dos mundos, Rei”, etc.
A contemplação abarca as incontáveis multidões de anjos e mundos — “milhares de milhares e miríades de miríades” — e percebe que somente D'us permanece único e singular, exatamente como antes de o mundo ser criado. Este é o sentido da expressão nos Versículos de Louvor: “Único, Vida dos mundos, Rei”.
O parágrafo explica Reuven, “ver”, como a contemplação da grandeza de D'us que transforma o conhecimento oculto em amor sentido; por isso, os louvores são recitados antes do Shema.
Conhecer e ver diferem não quanto ao conteúdo, mas quanto à presença da verdade: aquilo que o ladrão apenas “conhece” torna-se, por meio da contemplação, algo que a pessoa “vê”, e somente então dá origem ao amor. A nota da Kehot sobre o ladrão cita a versão do Talmud em Ein Yaakov e remete a uma explicação em Maamarei Admur HaEmtzai.
Marei mekomot
- 1כי ראה ה׳ וגו׳ כי עתה · Genesis 29:32
- 2גנבא אפום מחתרתא · Berakhot 63a
- 3מלכותך מלכות כל עולמים · Psalms 145:13
- 4אלף אלפים ורבו רבבן · Daniel 7:10
- 5יחיד חי העולמים מלך · Weekday Siddur Chabad, Shacharit, Pesukei Dezimra 2
- 6
- 7
- 8
O verdadeiro sentido do nome “Único” (yachid) é que somente Ele existe. E o sentido de “Um” (echad) é que o nível da alef é atraído para dentro da chet e da dálet, que são os sete céus e a terra etc.,
O Alter Rebbe distingue duas palavras que expressam a unicidade de D'us. Yachid, “único”, significa que somente Ele existe; echad, “um”, descreve o mundo unido a Ele: a alef, cujo valor é um, é atraída para dentro da chet (oito: os sete céus e a terra) e da dálet (quatro), que a tradição interpreta como as quatro direções.
שיהיו בטלים ליחודו ית׳ שהחיות של שמים וארץ עולה ונכלל במקורו וכך עולה אפילו החיות של הרוחניות כמ״ש לך ה׳ הגדולה וכו׳ (ועיין מזה על פסוק וארא אל אברהם)
para que se anulem diante da unidade Dele, bendito seja: a força vital do céu e da terra ascende e é absorvida em sua fonte; e assim também ascende a força vital até mesmo da esfera espiritual [dos mundos], como está escrito: “Tua, Havayá, é a grandeza” etc. (e veja sobre isso no versículo “E apareci a Avraham”).
Em echad, toda a criação se anula diante da unidade de D'us: sua força vital ascende e é absorvida novamente em sua fonte. O mesmo ocorre com os mundos espirituais, como diz David: “Tua, Havayá, é a grandeza… pois tudo o que há nos céus e na terra”; o parêntese remete ao maamar sobre “E apareci a Avraham” (Torah Ohr, Va’eira), que explica “Um” da mesma maneira.
ורק בשכמל״ו [ברוך שם כבוד מלכותו לעולם ועד] שלהיות עולמות נפרדים הם רק מבחי׳ מלכותו ית׳.
E somente em “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre” [se diz] que a existência de mundos separados provém apenas do nível de Sua Malchut (soberania), bendito seja Ele.
Somente nas palavras ditas após o primeiro versículo do Shemá, “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino para todo o sempre”, há lugar para mundos separados; e mesmo eles existem apenas por meio da realeza de D'us (Malchut).
וכשיאריך בענין זה בעומק בינתו בבחי׳ גילוי במוחו ולא בידיעה לבדה אזי מוליד מזה אהבה בהתגלות לבו
E quando ele se detém longamente neste assunto, na profundidade de seu entendimento, de modo que este se revele em sua mente e não permaneça apenas como conhecimento, então disso faz nascer amor revelado em seu coração,
Quando a pessoa contempla profundamente este assunto, com um entendimento que se torna vívido em sua mente em vez de permanecer mero conhecimento, isso faz nascer amor revelado em seu coração.
להיות נכספה וגם כלתה נפשי3 וגו׳ ויבא לקיום ואהבת את ה׳ אלקיך ממש דהיינו לדבקה בו בא״ס ב״ה ממש וכמ״ש מי לי בשמים4 כו׳:5
de modo que “minha alma anseia e também desfalece” etc.; e ele chegará ao cumprimento efetivo de “Amarás Havayá, teu D'us” — isto é, apegar-se a Ele, ao próprio Infinito (Ein Sof), bendito seja Ele; como está escrito: “Quem tenho eu nos céus” etc.
Esse amor é o “minha alma anseia e também desfalece” do salmo: um amor tão intenso que a alma se consome de anseio. Este é o verdadeiro cumprimento de “Amarás Havayá, teu D'us”: apegar-se ao próprio Infinito, como em “Quem tenho eu nos céus [senão a Ti]?”
Contemplar que somente D'us é real e que todos os mundos se anulam diante Dele, até que isso se torne vívido na mente e não seja mero conhecimento, faz nascer o amor revelado, o cumprimento de “Amarás”.
O parágrafo apresenta três níveis: yachid, D'us tal como somente Ele existe; echad, o mundo em estado de anulação diante Dele; e “Bendito seja o Nome da glória de Seu reino”, o nível em que mundos separados vêm a existir por meio de Malchut. Deter-se nisso até que se torne vívido na mente, e não mero conhecimento, é o que faz nascer o amor. As notas da Kehot registram que os manuscritos 414 e 633 não contêm a definição inicial de yachid.
Marei mekomot
- 1ואמתות שם יחיד הוא שהוא לבדו הוא · בבוך 414. 633 ליתא.
- 2ואמתות שם יחיד . . וענין אחד · ראה לקמן נה, ב. ובמאמרי אדה״א בראשית ע׳ תק.
- 3נכספה וגם כלתה נפשי · Psalms 84:3
- 4מי לי בשמים · Psalms 73:25
- 5לך ה׳ הגדולה · I Chronicles 29:11
O amor como retorno ¶4–6
Ora, está escrito: “com todo o teu coração”, e nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “com ambas as tuas inclinações”. Isto é, o amor deve estar no nível de um baal teshuvá (aquele que retorna).
A palavra para “teu coração” neste versículo, levavchá, tem a letra bet duplicada, que os Sábios interpretaram como “com ambas as tuas inclinações”: a boa e a má. Isso significa que o amor deve ser como o de um baal teshuvá, aquele que retorna a D'us.
כי התשובה אינו דוקא במי שיש בידו2 עבירות ח״ו [חס ושלום].3 אלא אפי׳ [אפילו] בכל אדם כי ענין תשובה הוא להשיב את הנשמה למקורה ושרשה שהיתה כלולה במאצילה ב״ה וצרורה בצרור החיים4 את ה׳ ממש
Pois a teshuvá (retorno) não se destina especificamente a quem tem pecados em suas mãos, D'us nos livre, mas [aplica-se] até mesmo a toda pessoa; pois o sentido da teshuvá é fazer a alma retornar à sua fonte e raiz, onde estava incluída em seu Emanador, bendito seja Ele, e “atada no vínculo da vida com o próprio Havayá”.
A teshuvá, literalmente “retorno”, não se limita a quem pecou; aplica-se a toda pessoa, pois significa fazer a alma retornar à sua raiz. Antes de descer, a alma estava incluída em seu Emanador e “atada no vínculo da vida” com o próprio D'us.
וירדה ממקום כבודה ונתלבשה בעוה״ז הגשמי שאפילו כל השגות הרוחניים שמשגת בהתלבשותה בתוך הגוף הם נופלים תחת בחינת זמן ומקום5
E ela desceu de seu lugar de glória e revestiu-se neste mundo físico, de modo que até mesmo todas as percepções espirituais que alcança enquanto revestida no corpo ficam sujeitas às categorias de tempo e espaço.
A alma desceu daquele lugar elevado e revestiu-se neste mundo físico. Agora, até mesmo sua compreensão espiritual, adquirida enquanto está no corpo, é limitada pelo tempo e pelo espaço.
וצריך להשיבה ע״י ויצעקו אל6 ה׳ בצר להם כי צר לו המקום7 שהוא בחי׳ מצר וגבול ועל זה נאמר אשר הוצאתי אתכם8 מארץ מצרים מבחי׳ מצר כו׳
E é preciso fazê-la retornar por meio de “Clamaram a Havayá em sua aflição (tzar)”, pois “o lugar é estreito demais (tzar) para ele”, o que corresponde ao nível de constrição (meitzar) e de limite. E a respeito disso foi dito: “que tirei vocês da terra do Egito (Mitsráyim)” — do nível de constrição (meitzar), etc.
A alma é reconduzida ao clamar a D'us a partir dessa constrição, como em “Clamaram a Havayá em sua aflição”. A estreiteza (meitzar) da existência limitada é o sentido interior do Egito (Mitsráyim), de onde D'us nos tirou.
שע״י המרירות אשר יהיה לו על ההיפוך תגדל האהבה לה׳ ביתר שאת להתכלל באוא״ס [באור אין סוף] ב״ה כיתרון האור הבא מן החשך.910
Pois, por meio da amargura que sentirá diante do [estado] oposto, o amor a D'us crescerá com intensidade ainda maior, para ser absorvido na Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele — como a vantagem da luz que surge da escuridão.
A amargura que a pessoa sente por estar tão distante de D'us torna seu amor mais forte, de modo que ela anseia ser absorvida na Luz Infinita. A luz que surge da escuridão brilha com mais intensidade do que a luz que nunca conheceu a escuridão.
O amor “com ambas as tuas inclinações” é o amor de um baal teshuvá e pertence a toda alma, pois toda alma desceu de sua fonte aos limites de um corpo e deve retornar.
A teshuvá é definida aqui não como reparação do pecado, mas como o retorno da alma dos limites do tempo e do espaço à sua fonte; assim, toda pessoa é, nesse sentido, um baal teshuvá, e a própria distância se torna combustível para um amor maior. A nota de Kehot remete o leitor a Likkutei Torah, Balak e Shabbos Shuvah, para essa compreensão mais ampla da teshuvá.
Marei mekomot
- 1בכל לבבך וארז״ל בשני יצריך · Deuteronomy 6:5
- 2שו״ה האהבה — כי התשובה . . במי שיש בידו · בבוך 414: כי בחי׳ בעל תשובה אינה: במי שיש.
- 3כי התשובה אינו דוקא במי שיש בידו עבירות ח״ו · ראה לקו״ת בלק עה, ב. שבת שובה סו, ג. לקו״ש ליקוט אלול תשל״ט הערה 12.
- 4צרורה בצרור החיים · I Samuel 25:29
- 5שו״ה בהתלבשותה — זמן ומקום · בבוך 414: מקום וזמן.
- 6ויצעקו אל ה׳ בצר להם · Psalms 107:6
- 7צר לו המקום · Isaiah 49:20
- 8אשר הוצאתי אתכם מאמ״צ · Numbers 15:41
- 9כיתרון האור הבא מן החשך · Ecclesiastes 2:13
- 10שו״ה לה׳ — · בבוך 414 נוסף: ממש.
5וע״ז אמרז״ל [אמרו רבותינו זכרונם לברכה] במקום שבע״ת [שבעלי תשובה]1 כו׳.2 וכדאי׳ [וכדאיתא] בזהר3 דמשכין ליה בחילא יתיר4 להיות גילוי אור א״ס ב״ה ממש על נפשו עד שגם חיות הגוף ונפש הבהמית וכחותיהם יתהפכו וישובו אל ה׳ ואתהפכא5 חשוכא לנהורא.
E a esse respeito nossos Sábios, de abençoada memória, disseram: “No lugar em que estão os baalei teshuvá (aqueles que retornam)”, etc. E, como é citado no Zohar, “eles a atraem com força maior”, de modo que haja uma revelação da própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, sobre sua alma, até que até mesmo a força vital do corpo, a alma animal e suas faculdades se transformem e retornem a D'us, e “a escuridão se transforme em luz”.
Esse amor é o que os Sábios quiseram dizer ao afirmar que os baalei teshuvá estão em um lugar onde nem mesmo os completamente justos podem estar; e o Zohar explica que aqueles que retornam atraem a luz “com força maior”. Seu anseio faz descer a própria Luz Infinita sobre a alma com tanta força que até mesmo a força vital do corpo, a alma animal e suas faculdades se transformam e retornam a D'us. Isso é “a escuridão transformada em luz”: aquilo que se opunha à santidade não é apenas contido, mas transformado em santidade.
O parágrafo fundamenta a força do amor do baal teshuvá nas palavras dos Sábios e do Zohar: ele faz descer a Luz Infinita com força maior e transforma até mesmo o corpo e a alma animal.
As notas de Kehot relacionam isso a duas passagens anteriores em Torah Ohr (22c e 26d). A segunda cita a mesma expressão do Zohar e a associa à luta entre a santidade e seu oposto, cujo propósito é que o lado oposto seja refinado e assimilado à santidade. Para as palavras do Zohar, Kehot indica Zohar 1:129b e também 1:199b.
Marei mekomot
- 1במקום שבע״ת · Berakhot 34b:22–23
- 2במקום שבע״ת כו׳ · נסמן לעיל כב, ג.
- 3וכדאי׳ בזהר · ח״א קכט, ב. קצט, ב. ראה לעיל כו, ד. ועוד.
- 4דמשכין ליה בחילא יתיר · Zohar, Chayei Sara 16:121–17:127
- 5שו״ה ונפש הבהמית — ואתהפכא · בבוך 633: להתהפכא.
6וזהו כי ראה1 ה׳ בעניי פי׳ שע״י עניי ומרודי הוא מרירות הנפש שבאתעדל״ת [שבאתערותא דלתתא] נמשך להיות אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] וכמים הפנים2 כו׳
E este é [o significado de] “Pois Havayá viu minha aflição.” A explicação: por meio de “minha aflição e meu vagar”, que é a amargura da alma — [isto é,] por meio de um despertar de baixo, atrai-se um despertar do alto; e “como na água, o rosto [responde] ao rosto”, etc.:
As palavras de Leah, “Havayá viu minha aflição”, são interpretadas como a amargura da alma por seu afastamento de D'us: “minha aflição e meu vagar”. Essa amargura é um despertar de baixo, e suscita uma resposta correspondente do alto, assim como um rosto é correspondido por seu reflexo na água.
יתרון האור בבחי׳ ראיה מלמעלמ״ט [מלמעלה למטה] כי יאהבני בבחי׳ אישי דהיינו כמ״ש ביום ההוא תקראי לי אישי.3
a vantagem da luz, no nível da visão de cima para baixo: “pois ele me amará” no nível de Ishi (“meu marido”), isto é, como está escrito: “Naquele dia, me chamarás de Ishi.”
A resposta do alto é a “vantagem da luz” que emerge da escuridão, uma visão de cima para baixo. Então, “ele me amará” como Ishi, “meu marido”, o nome pelo qual D'us diz que será chamado “naquele dia”.
ופי׳ אישי אש שלי ממש והיינו התשוקה שממטה למעלה בחי׳ ואל אישך תשוקתך4 שהוא הוא האש שלי תהיה בבחי׳ התכללות באוא״ס [באור אין סוף] ב״ה ממש עד שהוא הוא יהיה אישי אש שלי ממש
E o significado de Ishi é, de fato, eish sheli, “meu fogo”. Isto é, o anseio de baixo para cima, o nível de “e o teu anseio será pelo teu marido (ishech)” — que é precisamente “meu fogo” — deve estar em estado de absorção na própria Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, até que Ele próprio seja Ishi, verdadeiramente “meu fogo”.
Ishi é lido como eish sheli, “meu fogo”: o anseio ardente da alma para o alto, como em “e o teu anseio será pelo teu marido (ishech)”. Esse anseio deve culminar em absorção no Or Ein Sof, até que o próprio D'us se torne o fogo da alma.
כי וימינו תחבקני בבחי׳ חבוק והתכללות להיות גילוי אוא״ס [אור אין סוף] ב״ה ממש על נפשי בתשוקה זו:5
Pois “e Sua mão direita me abraça”, em um modo de abraço e absorção, para que o próprio Or Ein Sof, bendito seja Ele, seja revelado sobre minha alma por meio deste anseio.
Isto é “Sua mão direita me abraça”: a mão direita de D'us, Sua bondade, abraça a alma e a acolhe. Por meio deste anseio, o próprio Or Ein Sof é revelado sobre a alma.
O versículo de Reuven é interpretado como um ciclo completo: o anseio amargo da alma, que parte de baixo, atrai uma resposta de amor do alto, até que seu fogo seja absorvido no Or Ein Sof.
O jogo de palavras entre ishi e eish, “fogo”, apresenta o amor como uma chama que se eleva, enquanto “Sua mão direita me abraça” descreve a resposta do alto, que acolhe a chama. Juntos, eles expressam o encontro entre o despertar de baixo e o despertar do alto.
Marei mekomot
- 1כי ראה ה׳ בעניי · Genesis 29:32
- 2וכמים הפנים · Proverbs 27:19
- 3ביום ההוא תקראי לי אישי · Hosea 2:18
- 4ואל אישך תשוקתך · Genesis 3:16
- 5
Shimon e Levi ¶7–8
7והנה זהו ענין ראובן שהוא ענין בחי׳ פ׳ ראשונה שבק״ש [שבקריאת שמע]1 שהוא בחי׳ רצוא. ופ׳ שניה שבק״ש [שבקריאת שמע]2 היא בחי׳ שמעון והיה אם שמוע תשמעו שהיא בחי׳ שוב
Ora, esse é o assunto de Reuven, que corresponde ao primeiro parágrafo do Shema, o nível de ratzo (correr adiante). E o segundo parágrafo do Shema é o nível de Shimon — “E será que, se ouvirdes atentamente (shamoa tishme’u)” — que corresponde ao nível de shov (retorno).
Reuven corresponde ao primeiro parágrafo do Shema, com seu mandamento de amar, e ao ratzo, o correr da alma em direção a D'us. Shimon, cujo nome alude ao fato de D'us “ouvir”, corresponde ao segundo parágrafo, “E será que, se ouvirdes atentamente”, e ao shov, o retorno.
כי ראיה היא מקרוב והיינו בחינת אהבה שמחמת הקירוב. אבל שמיעה היא מרחוק והיא הגורמת בחינת יראה וכמ״ש ה׳ שמעתי שמעך יראתי3 כי היראה היא באה מחמת בחי׳ הריחוק הנמשך מבחי׳ שמאל דוחה.
Pois a visão se dá de perto, e esse é o nível do amor que decorre da proximidade. Mas a audição se dá de longe e é ela que suscita o nível do temor, como está escrito: “Havayá, ouvi o relato a teu respeito; temi.” Pois o temor decorre do nível de distância que provém do nível de “a esquerda repele”.
A visão se dá de perto e, por isso, produz o amor que nasce da proximidade; a audição chega à pessoa de longe e suscita temor, como diz o profeta Chavakuk: “Havayá, ouvi o relato a teu respeito; temi.” O temor decorre de uma sensação de distância, a qualidade denominada “a esquerda repele”.
כי לפי שהוא דוחה ומשפיל עצמו לומר לנפשו מי הוא אשר ערב לבו לגשת4 כו׳ אזי תפול עליו יראה ופחד בלבו
Pois, uma vez que ele se afasta e se humilha, dizendo à sua alma: “Quem é ele, para que seu coração ouse aproximar-se...”, então o temor e o pavor caem sobre ele, em seu coração.
Quando a pessoa se afasta e se humilha, perguntando quem é ela para ousar aproximar-se Dele, o temor e o pavor caem sobre seu coração.
וכמ״ש וירא העם וינועו5 ויעמדו מרחוק6 שבשביל וינועו שנפל עליהם אימה ופחד ולפיכך ויעמדו מרחוק בבחי׳ שמיעה וכענין אם רץ לבך שוב לאחד.78
Como está escrito: “O povo viu, tremeu e ficou de pé à distância”: por causa de “tremeram”, pois o terror e o pavor caíram sobre eles; por isso, “ficaram de pé à distância”, no nível da audição. E isso corresponde ao conceito de “Se teu coração correr, retorna ao Um”.
Na outorga da Torá, o povo tremeu de medo e, por isso, ficou à distância, numa postura de audição, e não de visão. Esse é o “retorno” em “Se teu coração correr, retorna ao Um”: depois de correr em direção a D'us, a alma recua com humildade.
Reuven e Shimon correspondem aos dois primeiros parágrafos do Shema: visão, amor e proximidade (ratzo); e audição, temor e distância (shov).
A nota da Kehot cita Maamarei Admur HaEmtzai: esse shov é uma postura de distância, na qual a pessoa se rebaixa profundamente e permanece longe, a qualidade de “a esquerda repele”. Outra nota remete a Or HaTorah, que pergunta como o Shema pode ser apenas uma preparação para o Shemoneh Esreh (a oração das Dezoito Bênçãos), e responde que o Shema une Chochmá (sabedoria) e Biná (entendimento) para sustentar os mundos, enquanto o Shemoneh Esreh une Tiféret (beleza) e Malchut (soberania) para fazer surgir novas almas.
Marei mekomot
- 1ראובן שהוא ענין בחי׳ פ׳ ראשונה שבק״ש · ראה באוה״ת פ׳ כי תשא ע׳ א׳תתפו שמכאן משמע דק״ש הוא רק הכנה לשמ״ע, והרי ק״ש מדאורייתא וגם יחוד חו״ב ושמו״ע יחוד ת״ת ומל׳ ע״ש שמפרש דק״ש הוא יחוד חו״ב בשביל להחיות העולמות בלי התחדשות, אבל יחוד ת״ת ומל׳ הוא להוליד נשמות חדשות ע״ש בארוכה. וראה גם באוה״ת דברים כרך ה ע׳ ב׳נג.
- 2פ׳ ראשונה שבק״ש . . ופ׳ שני׳ שבק״ש · ראה בסה״מ תרל״ג ח״א ע׳ קמג.
- 3ה׳ שמעתי שמעך יראתי · Habakkuk 3:2
- 4מי הוא אשר ערב לבו לגשת · Jeremiah 30:21
- 5וירא העם וינועו · Exodus 20:18
- 6וירא העם וינועו ויעמדו מרחוק · Exodus 20:15
- 7אם רץ לבך שוב לאחד · ספר יצירה פ״א מ״ח. ”והענין של בחי׳ השוב הזה הוא בחי׳ הריחוק שמתרחק ומשפיל א״ע מאד, והוא בחי׳ שמאל דוחה דהיינו שמדחה א״ע ומשפיל א״ע ביותר להיות עומד בריחוק מקום דוקא” — מאמרי אדה״א בראשית ע׳ תקד. וראה שם ע׳ תקמד. וכ״ה באוה״ת ויחי תתשלט, א, אבל בבוך 414: שוב כו׳.
- 8אם רץ לבך שוב לאחד · Sefer Yetzirah 1:8
8וזהו ענין פ׳ שניה שבק״ש [שבקריאת שמע] שהוא בחי׳ יראה כמ״ש השמרו לכם פן יפתה1 כו׳. וז״ש [וזהו שכתוב] כי שמע2 ה׳ כי שנואה אנכי וכענין נבזה בעיניו נמאס34
E este é o assunto do segundo parágrafo do Shemá, que corresponde ao nível do temor, como está escrito: “Tomai cuidado, para que [vosso coração] não seja seduzido”, etc. E é isso que está escrito: “Pois Havayá ouviu que sou odiada”, e [é] como no assunto de “Desprezado a seus próprios olhos, rejeitado”.
O segundo parágrafo do Shemá é o parágrafo do temor, com advertências como “Tomai cuidado, para que vosso coração não seja seduzido”. Leah deu o nome de Shimon ao dizer: “Havayá ouviu que sou odiada”; e a expressão do salmo, “desprezado a seus olhos”, é entendida aqui como uma pessoa que é humilde e desprezada aos próprios olhos (no próprio salmo, o justo é aquele a cujos olhos o vil é desprezado).
דהיינו שע״י אתעדל״ת [אתערותא דלתתא] מה שנחשב בעיניו לשנואה ע״י שמאל דוחה נמשך להיות אתעדל״ע [אתערותא דלעילא] כי שמע ה׳ בחי׳ שמיעה מרחוק כדי להמשיך בחי׳ יראה מלמעלה
Isto é, por meio de um despertar de baixo — por ele ser considerado, aos próprios olhos, “odiado”, em virtude de “a esquerda repele” — surge um despertar do alto: “Pois Havayá ouviu”, o nível de ouvir de longe, a fim de atrair para baixo o nível do temor do alto.
Quando a pessoa se considera “odiada” e afasta a si mesma, a qualidade de “a esquerda repele”, essa humilhação de si é um despertar de baixo, que suscita, em resposta, um despertar do alto: “Havayá ouviu”, uma audição de longe. Desse modo, o temor é atraído para baixo até ela, do alto.
(ובזה יובן5 ענין שמע והא״ש [והאתי שפיר] שהן חו״ג [חסד וגבורה] והשמות מ״ב וע״ב אלא שהוא התכללות כי שמע חסד אהבה ראובן וכלול גם כן מגבורה בחי׳ ראה בעניי הנ״ל וכן והא״ש [והאתי שפיר] יראה כלול מאהבה) (עיין ביאור זה ע״פ אלה מסעי6 וע״פ ויחי).7
(Com isso, compreender-se-á o assunto de Shemá e VeHayá, que correspondem a Chessed (bondade) e Guevurá (contenção), e aos Nomes Mem-Beis (42) e Ayin-Beis (72); há, porém, interinclusão: pois Shemá é Chessed, amor, Reuven, e também contém Guevurá, o nível de “Ele viu minha aflição”, mencionado acima; e, do mesmo modo, VeHayá, temor, contém amor.) (Veja a explicação disso sobre [o versículo] “Estas são as jornadas” (Eileh Masei) e sobre [o versículo] “E viveu” (Vayechi.)
Este parêntese, que a nota de Kehot identifica como um acréscimo do Tzemach Tzedek, explica que os dois parágrafos do Shemá correspondem a Chessed e Guevurá, e aos Nomes Divinos de 42 e 72, mas cada um contém o outro: o primeiro, o amor, inclui a “aflição” que D'us viu, e o segundo, o temor, inclui o amor. A nota diz que não está claro a qual maamar sobre Vayechi se refere a menção final.
והנה אחר ק״ש [קריאת שמע] אומרים אמת ויציב וכו׳ ונחמד ונעים ונורא וכו׳ הדבר הזה עלינו והיינו בחי׳ לוי ילוה אישי אלי.8
Ora, depois do Shemá dizemos: “Verdadeiro e firme”, etc., “e amado, agradável e temível”, etc., “é este assunto sobre nós”; e este é o nível de Levi: “meu marido se unirá (yilaveh) a mim”.
Depois do Shemá, dizemos a bênção que começa com “Verdadeiro e firme” (Emes VeYatziv), que chama “este assunto” de amado, agradável e temível. Isso corresponde a Levi, cujo nome foi dado quando Leah disse: “meu marido se unirá (yilaveh) a mim”: o nome Levi deriva dessa palavra que significa união.
והוא ענין ימינא ושמאלא ובינייהו כלה9 כי שמאלו תחת לראשי10 בחי׳ שמאל דוחה הוא שגורמת להיות נשיאות ראש וכו׳ וימינו תחבקני ימין מקרבת להתכלל כו׳.
E este é o assunto de “direita e esquerda, e entre elas, a noiva”. Pois “Sua mão esquerda está sob minha cabeça” — o nível de “a esquerda repele” — é o que provoca a elevação da cabeça, etc.; “e Sua mão direita me abraça” — a direita aproxima, para que haja inclusão, etc.
A “união” de Levi é a noiva que se encontra entre a direita e a esquerda, nas palavras do hino de sexta-feira à noite Azamer Bishvachin. “Sua mão esquerda está sob minha cabeça”: a esquerda que repele, a humildade, é o que eleva a cabeça; “Sua mão direita me abraça”: a direita aproxima, para que a alma seja incluída.
Shimon representa o temor, atraído do alto por meio da humilhação de si da pessoa; Levi representa a união da direita com a esquerda, expressa em Emes VeYatziv, depois do Shemá.
O parêntese refina o esquema dos irmãos: amor e temor nunca estão inteiramente separados, pois cada um contém algo do outro. É também por isso que o parágrafo do amor está associado ao Nome de Quarenta e Dois, geralmente um Nome de Guevurá, e o parágrafo do temor, ao Nome de Setenta e Dois, geralmente um Nome de Chessed, como explica o próximo maamar. A mão esquerda que repele e a mão direita que aproxima servem ambas à união; e essa união é o significado de Levi, “união”.
Marei mekomot
- 1השמרו לכם פן יפתה · Deuteronomy 11:16
- 2כי שמע ה׳ כי שנואה אנכי · Genesis 29:33
- 3נבזה בעיניו נמאס · Psalms 16:4
- 4נבזה בעיניו נמאס · Psalms 15:4
- 5(ובזה יובן . . כלול מאהבה . . וש״פ ויחי) · קטע זה ליתא בבוך 414. 633. 1824 (מאמרי אדה״ז). הוספת הצ״צ.
- 6ע״פ אלה מסעי · לקו״ת שם צ, א. ובאוה״ת שם.
- 7ע״פ ויחי · צ״ע לאיזה מאמר הכוונה.
- 8ילוה אישי אלי · Genesis 29:34
- 9ימינא ושמאלא ובינייהו כלה · פיוט אזמר לשבחין (זמירות ליל שבת).
- 10שמאלו תחת לראשי · Song of Songs 2:6
Levi: a Torá ¶9–10
9ובחי׳ ילוה אישי היינו מה שאומרים באמוי״צ [באמת ויציב] הדבר הזה היא התורה ששרשה מאד נעלה אלא שנתלבשה בדברים גשמיים שלכן נמשלה התורה למים1 שיורדים ממקום גבוה2 וכו׳.
E o nível de “meu marido se unirá a mim” é aquilo que dizemos em “Verdadeiro e firme” (Emes VeYatziv): “esta coisa” — isto é, a Torá, cuja raiz é extremamente elevada, mas que foi revestida de assuntos físicos; por isso, a Torá é comparada à água, que desce de um lugar alto etc.
A “união” de Levi é aquilo que Emes VeYatziv diz sobre “esta coisa”, que é a Torá. A raiz da Torá é muito elevada, mas ela foi revestida de assuntos físicos; por isso, é comparada à água, que flui de um lugar alto para um lugar baixo.
וזאת ישיב אל לבו אמת הוא שאין אני ראוי מצד עצמי לעלות ולהתכלל באור ה׳ ולהשיב את הנפש ממטה למעלה לייחדה במאצילה ב״ה כי מי יעלה בהר3 ה׳ כו׳
E isto ele deve levar ao coração: é verdade que, por mérito próprio, não sou digno de ascender e ser absorvido pela luz de D'us, nem de fazer a alma retornar de baixo para cima, a fim de uni-la Àquele que a emanou, bendito seja Ele — pois “Quem subirá ao monte de Havayá?” etc.
A pessoa deve admitir para si mesma que, por seus próprios méritos, não é digna de ascender e ser absorvida pela luz de D'us, fazendo sua alma retornar à sua fonte. Como pergunta o salmo: “Quem subirá ao monte de Havayá?”
אבל מ״מ הרי אא״ס [אור אין סוף] ב״ה מצד עצמו ממילא ומאיליו נמשך גם למטה ששורה ומתגלה בתורה
Mas, apesar disso, eis que a Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, por Sua própria iniciativa, naturalmente também desce para baixo, de modo que repousa e se revela na Torá.
Ainda assim, o Or Ein Sof desce para baixo por iniciativa própria e repousa na Torá. Essa descida não depende da dignidade da pessoa, mas do próprio D'us.
והרי מתגלה יחוד זה העליון למטה כמו למעלה ואי לזאת ע״י עסק התורה יכול להמשיך אא״ס [אור אין סוף] ב״ה ממש למטה על נפשו
E assim esta unidade suprema se revela embaixo como em cima; portanto, por meio do estudo da Torá, ele pode atrair o próprio Or Ein Sof, bendito seja Ele, para baixo, sobre sua alma.
Como a Torá traz esta unidade suprema para baixo, ela se revela embaixo como em cima. Portanto, ao ocupar-se com a Torá, a pessoa pode atrair o próprio Or Ein Sof para baixo, sobre sua própria alma.
וזהו אם רץ לבך שוב לאחד שגם למטה בבחי׳ שוב נמשך בחי׳ אחד וזהו ילוה אישי אלי שיורד ונמשך אא״ס [אור אין סוף] ב״ה מלמעלה למטה.
E este é o sentido de “Se teu coração corre, volta ao Um”: também embaixo, no nível de “retorno”, o nível de “Um” é atraído para baixo. E isto é “meu marido se unirá a mim”: o Or Ein Sof desce e é atraído de cima para baixo.
Este é o sentido de “volta ao Um”: mesmo na postura de recuo (shov), o Um é atraído para baixo. É também o “meu marido se unirá a mim” de Levi: o Or Ein Sof desce de cima e se une à alma.
Levi é a Torá, por meio da qual o Or Ein Sof desce por iniciativa própria, de modo que até mesmo uma pessoa que se sente indigna de ascender pode atraí-lo para sua alma.
Reuven e Shimon começam pelo movimento da própria alma, que se eleva em amor ou recua em temor e, então, atrai uma resposta do alto; Levi é o Or Ein Sof que desce por iniciativa própria por meio da Torá, até mesmo para quem se sente indigno de ascender. A nota da Kehot remete a Torah Ohr, Toldos, onde a Torá, comparada à água, possui uma “fonte” oculta e “rios” revelados, que chegam a cada pessoa conforme sua capacidade de apreensão.
Marei mekomot
- 1שלכן נמשלה התורה למים · ראה לעיל יז, ד.
- 2נמשלה התורה למים שיורדים ממקום גבוה · Taanit 7a:15–16
- 3מי יעלה בהר ה׳ · Psalms 24:3
10וזהו פי׳ אמוי״צ [אמת ויציב] כו׳ שמאריכין לאשר ולקיים את הדבר הזה עלינו ועל אבותינו כו׳ על הראשונים כו׳
E esta é a explicação de “Verdadeiro e firme” etc.: detemo-nos longamente em afirmar e sustentar “esta coisa” “sobre nós e sobre nossos pais” etc., “sobre as [gerações] anteriores” etc.,
A bênção Emes VeYatziv detém-se longamente em afirmar que “esta coisa”, a Torá, é vinculante para nós, para nossos pais e para as gerações anteriores.
וממשיכים מלמעלה אמת ויציב ונכון וכו׳ ונחמד ונעים כו׳ להיות המשכת אור א״ס ב״ה שורה ומתגלה באור תורה:
e atraímos do alto “Verdadeiro, firme e estabelecido” etc., “amado e agradável” etc., para que o influxo da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, repouse e se revele na luz da Torá.
Com suas numerosas palavras de louvor, “verdadeiro, firme e estabelecido… amado e agradável”, atraímos o Or Ein Sof do alto, para que repouse e se revele na luz da Torá.
As muitas afirmações da bênção Emes VeYatziv atraem o Or Ein Sof para dentro da Torá, o nível de Levi.
Yehudah: bitul na oração ¶11–12
11אך הנה כל ג׳ בחי׳1 הנ״ל עדיין הם בבחי׳ ממכ״ע [ממלא כל עלמין] שהם בחי׳ המשכות מאא״ס [מאור אין סוף] ב״ה לבחינת ממכ״ע [ממלא כל עלמין]
No entanto, os três níveis mencionados acima ainda pertencem ao nível da luz que preenche todos os mundos (memalê kol almin), pois são fluxos que se estendem da Luz Infinita (Or Ein Sof), bendito seja Ele, até o nível da luz que preenche todos os mundos.
Os três níveis — Reuven, Shimon e Levi — ainda pertencem à luz que preenche todos os mundos, a luz que penetra cada mundo segundo sua medida.
שבחי׳ ראובן היא לעורר את האהבה להיות נכספה וגם כלתה כו׳ ולהיות משתוקק׳ [משתוקקת] להתכלל ולהתייחד במאצילה ב״ה מכלל שהיא עדיין אינה כלולה ומיוחדת2 באא״ס [באור אין סוף] ב״ה הסוכ״ע
Pois o nível de Reuven consiste em despertar o amor, de modo a “ansiar e até mesmo definhar de desejo”, etc., e desejar ser absorvido e unido ao seu Emanador, bendito seja Ele — do que se conclui que ainda não está absorvido e unido ao Or Ein Sof, bendito seja Ele, que circunda todos os mundos (sovev kol almin).
O amor de Reuven, por exemplo, é um anseio: “ansiar e até mesmo definhar de desejo”. Desejar e ansiar ser absorvido em D'us implica que ainda não se está absorvido e unido à Luz Infinita que circunda todos os mundos.
(בשמים ממעל ועל הארץ מתחת הכל בשוה ורוחניות וגשמיות כולא קמיה כלא ממש חשיבי)3 ועד״ז שאר הבחי׳ אלא שהן בחי׳ המשכות להיות ממכ״ע [ממלא כל עלמין] כו׳.
(“nos céus acima e na terra abaixo”, tudo é igual, e o espiritual e o físico, igualmente, “são todos considerados diante Dele como verdadeiramente nada”). E assim também os outros níveis, mas eles são fluxos que se estendem para constituir a luz que preenche todos os mundos, etc.
Diante da luz que circunda todos os mundos, céu e terra são iguais, e o espiritual e o físico, igualmente, são como nada. Também Shimon e Levi representam fluxos que se estendem até a luz que preenche os mundos.
אבל בחי׳ יהודה שהוא בחי׳ הודאה4 הוא בחי׳ בטול והתכללות באא״ס [באור אין סוף] ב״ה ממש הסוכ״ע והן הן בחינות השתחואות שבתפלת שמ״ע [שמונה עשרה].
Mas o nível de Yehudah, que é o nível do reconhecimento, é o nível da autoanulação (bitul) e da absorção no próprio Or Ein Sof, bendito seja Ele, que circunda todos os mundos; e esses são precisamente os níveis das inclinações na oração Shemoneh Esreh.
O reconhecimento de Yehudah é diferente: é autoanulação, absorção no próprio Or Ein Sof, a luz que circunda todos os mundos. Isso se expressa nas inclinações da Shemoneh Esreh, a oração silenciosa, feita de pé, das dezoito bênçãos (Amidá).
Reuven, Shimon e Levi permanecem dentro da luz que preenche os mundos, ao passo que o reconhecimento de Yehudah é a absorção na luz que os circunda, expressa nas inclinações da Shemoneh Esreh.
O anseio implica um amante ainda separado daquilo por que anseia; o reconhecimento de Yehudah é o estado em que essa separação é deixada de lado. As notas da Kehot registram que a passagem entre parênteses aparece em outro lugar em vários manuscritos.
Marei mekomot
- 1אך הנה כל ג׳ בחי׳ · ראה אוה״ת פ׳ יתרו ע׳ תתקצא.
- 2מכלל שהיא עדיין אינה כלולה ומיוחדת · ראה באוה״ת ויקרא כרך א ע׳ רכג.
- 3(בשמים . . כלא ממש חשיבי) · קטע זה נמצא כאן גם באוה״ת ויחי תתשלט, ב. אבל בבוך 414. 633. 1824 (מאמרי אדה״ז) נמצא לקמן קודם תי׳ ”והן הן בחינות”. בבוך 633 הקטע: ועד״ז שאר הבחי׳ . . ממש הסוכ״ע: נרשם בצד הגליון — בכת״י הסופר עצמו — אבל באוה״ת כרך ו תתשלט, ב כמו בהנדפס.
- 4אבל בחי׳ יהודה שהוא בחי׳ הודאה · ראה לקו״ש חל״ה ע׳ 196 הערה 36.
Portanto, a oração é feita em voz baixa e em silêncio, no nível da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), muito, muito acima do nível da cadeia descendente dos mundos (hishtalshelut), que não pertence de modo algum à categoria de atração e influência, etc.
É por isso que a Shemoneh Esreh é recitada em voz baixa e em silêncio: ela pertence à luz que circunda todos os mundos, muito acima da cadeia descendente dos mundos, além de qualquer fluxo de influência de um nível para outro.
ואינה עולה בשם אהבה כלל רק בחי׳ ביטול במציאות ממש לגמרי והיינו בחי׳ השתפכות אל חיק אביה ממש להיות כאין ואפס ממש
E ela não é de modo algum chamada de “amor”, mas apenas o nível da autoanulação da [própria] existência, completa e inteiramente; isto é, o nível em que [a alma] se derrama no próprio seio de seu Pai, para ser verdadeiramente como nada e coisa alguma.
Essa oração nem sequer é chamada de amor; é uma autoanulação completa, na qual a alma se derrama no seio de seu Pai até ser como nada.
שע״ז מרמז ענין ההשתחואה כמו שמשתחוה לפני המלך שמבטל א״ע [את עצמו] כו׳
É a isso que alude a prostração: assim como alguém se prostra diante do rei, autoanulando-se, etc.
As prostrações da Shemoneh Esreh aludem a isso: quem se curva diante de um rei põe-se de lado diante dele.
רק שכדי להיות בחי׳ זו שהוא בחי׳ יהודה בבחי׳ אתה דהיינו להיות בגילוי כאילו הוא לנוכח2 צ״ל יודוך אחיך3 שצריך להקדים תחילה בחי׳ ראובן ושמעון ולוי4 שבהם ועל ידם יומשך גילוי בחי׳ הודאה זו
Somente que, para que este nível, que é o nível de Yehudah, esteja na condição de “Tu” (atá) — isto é, para que se revele como se Ele estivesse face a face [com ele] —, é necessário que “teus irmãos te reconheçam”: primeiro é preciso fazer preceder os níveis de Reuven, Shimon e Levi, nos quais e por meio dos quais será atraída a revelação deste nível de reconhecimento.
Para que esta autoanulação de Yehudah seja “Tu” (atá), dirigida à segunda pessoa, D'us precisa revelar-Se como se estivesse face a face com a pessoa. Para isso, os níveis de Reuven, Shimon e Levi devem vir primeiro; por meio deles, esse reconhecimento se revela. É a isso que se refere “teus irmãos te reconhecerão”.
כי בלי קדימת בחי׳ ראובן שמעון ולוי לא נמשך בחי׳ יהודה שהוא בחינת ביטול והתכללות כו׳ בבחי׳ גילוי אלא בבחי׳ העלם ומקיף.
Pois, sem que primeiro precedam os níveis de Reuven, Shimon e Levi, o nível de Yehudah — que é o nível da autoanulação (bitul) e da absorção, etc. — não é atraído de maneira revelada, mas apenas de maneira oculta e abrangente (makif).
Sem os três irmãos, a autoanulação de Yehudah permaneceria oculta e abrangente (makif), tocando a pessoa apenas de fora, e não em sua consciência.
ולכן א״א להתחיל תפילת ש״ע [שמונה עשרה] בלי קדימת פסוד״ז [פסוקי דזמרה] ויוצר אור וק״ש [וקריאת שמע] כו׳ (ובמנחה שמתפללין רק תפילת ש״ע [שמונה עשרה] היינו מפני שכבר הקדימו בשחרית ק״ש [קריאת שמע] וברכותיה. ובערבית צריך לחזור להתחיל ק״ש [קריאת שמע] וברכותיה קודם התפלה).5
Portanto, não é possível começar a oração da Shemoneh Esreh sem antes recitar Pesukei deZimra, Yotzer Or e o Shema, etc. (E, em Minchah, quando se recita apenas a oração da Shemoneh Esreh, isso se deve ao fato de que o Shema e suas bênçãos já foram recitados anteriormente, em Shacharis. E, em Maariv, é preciso começar novamente pelo Shema e suas bênçãos antes da oração.)
É por isso que não se pode começar a Shemoneh Esreh sem antes recitar Pesukei deZimra, Yotzer Or e o Shema. Em Minchah, a oração é recitada sozinha porque o Shema já foi recitado pela manhã; em Maariv, o Shema e suas bênçãos são recitados novamente primeiro.
וזהו ענין נעוץ תחלתן בסופן6 והמ״י [והמשכיל יבין] (וע׳ במ״א ע״פ ולשרקה7 בני אתונו דמשמע דשור״ק שהוא הודאה הוא למטה מסגו״ל שהוא בחי׳ אהוי״ר [אהבה ויראה] כו׳.
E este é o sentido de “o início deles está cravado em seu fim”, e quem é perspicaz compreenderá. (E veja em outro lugar, a respeito de “e à videira escolhida (soreikah), o potro de sua jumenta”, de onde se depreende que o shuruk, que é o reconhecimento, está abaixo do segol, que corresponde ao nível do amor e temor, etc.)
A autoanulação de Yehudah, o nível mais elevado, só se revela ao final da ordem da oração, na Shemoneh Esreh, depois das etapas que a precedem; é a isso que se refere “o início deles está cravado em seu fim”. Em seguida, um parêntese apresenta uma dificuldade a partir de outro maamar, que interpreta soreikah, “videira escolhida”, como a vogal shuruk (cujas letras são quase as mesmas) e situa o shuruk, o reconhecimento, abaixo da vogal segol, que representa o amor e o temor.
וזהו לכאורה הפך ממ״ש כאן דיהודה שהוא הודאה הוא למעלה מראובן שמעון ולוי שהם סגו״ל. ובאמת לק״מ [לא קשה מידי] דהודאה היא למטה מאהוי״ר [מאהבה ויראה] אבל הודאה דיהודה זהו בחי׳ בטול שלמעלה מאהוי״ר [מאהבה ויראה] וזה בחי׳ דוד אם לא שויתי ודוממתי8
E isso parece, à primeira vista, ser o oposto do que se diz aqui: que Yehudah, que é o reconhecimento, está acima de Reuven, Shimon e Levi, que correspondem ao segol. Mas, na verdade, não há dificuldade alguma: o reconhecimento está abaixo do amor e do temor, mas o reconhecimento de Yehudah é o nível da autoanulação que está acima do amor e do temor. E este é o nível de David: “Certamente aquietei e silenciei [minha alma]”,
A resposta é que o reconhecimento comum está de fato abaixo do amor e do temor, mas o reconhecimento de Yehudah é uma autoanulação que está acima deles. Esse é o sentido das palavras de David: “Aquietei e silenciei minha alma”.
וכמ״ש ואחר האש קול דממה דקה הרי שהדממה והביטול הוא למעלה מהאש שהיא אהבה כי תמן קאתי מלכא910 אבל גבי אש כתיב לא באש הוי״ה אלא שהאש הוא להוי״ה כמ״ש במ״א.
Como está escrito: “E depois do fogo, uma voz de silêncio tênue.” Assim, a quietude e a autoanulação (bitul) são superiores ao fogo, que é o amor, pois “ali vem o Rei”; quanto ao fogo, porém, está escrito: “Havayá não está no fogo” — antes, o fogo é para Havayá, como explicado em outro lugar.
Quando D'us Se revelou a Eliyahu, Ele “não estava no fogo”, mas na “voz de silêncio tênue”, a respeito da qual Tikkunei Zohar diz: “ali vem o Rei”. O silêncio e o bitul são, portanto, superiores ao fogo, que é o amor; o fogo se dirige a Havayá, mas não é ali que Ele é encontrado.
ועוד דזהו שאמר כאן יהודה אתה שיהיה יהודה בבחי׳ אתה דהיינו בבחי׳ גילוי כו׳ ולפעמים אינו בגילוי כ״א רק בהעלם ואז היא הודאה שלמטה מאהוי״ר [מאהבה ויראה]. אבל כשההודאה בבחי׳ גילוי זהו בחי׳ ביטול ממש):11
Além disso, é isso o que se diz aqui: “Yehudah, tu” — que Yehudah esteja no aspecto de “tu”, isto é, no aspecto da revelação, etc. Às vezes, não está revelado, mas apenas oculto, e então é o reconhecimento que está abaixo do amor e do temor. Mas, quando o reconhecimento está revelado, esse é o nível do verdadeiro bitul.)
Uma segunda resposta: “Yehudah, tu” significa um reconhecimento que está revelado. Quando o reconhecimento permanece oculto, é o tipo inferior, abaixo do amor e do temor; quando está revelado, é o verdadeiro bitul.
O silêncio e as prostrações da Shemoneh Esreh expressam a autoanulação de Yehudah, que só se revela após a preparação de Reuven, Shimon e Levi; um parêntese concilia isso com um maamar que situa o reconhecimento abaixo do amor e do temor.
Distinguem-se dois tipos de reconhecimento: um que está abaixo do amor e do temor, e a autoanulação revelada de Yehudah, que está acima deles, como a voz de silêncio tênue que vem depois do fogo. As notas da Kehot registram que o parêntese sobre o shuruk e o segol está ausente do manuscrito e que Or HaTorah, ao citar esta passagem, acrescenta que a autoanulação deve ser real na mente da pessoa, como se o Rei dos reis estivesse de fato diante dela.
Marei mekomot
- 1בלחש ובחשאי · ע׳ מענין בחשאי בלקו״ת בד״ה האזינו הראשון ספ״ד.
- 2שכדי להיות בחי׳ זו שהוא בחי׳ יהודה . . כאילו הוא לנוכח · קטע מכאן מובא באוה״ת פ׳ שמות כרך ח ע׳ ג׳נה עם הגהות ושם מוסיף: ”(ר״ל שיהי׳ הביטול במוחו באמת כאלו המלך מ״ה הקב״ה הוא לנוכח ממש)”.
- 3שו״ה כאילו — יודוך אחיך · בבוך 633 נוסף: דהיינו.
- 4ראובן שמעון ולוי · באוה״ת חנוכה כרך ה תתקלח, ב מבאר ”שהן ק״ש אמת ויציב”.
- 5(ובמנחה . . קודם התפלה) · וכ״ה בבוך 633 ובלי מוסגר. באוה״ת בראשית כרך ו תתשלט, ב. אבל בבוך 1824 נמצא קטע זה לקמן אחר תי׳ ”וזהו ענין נעוץ תחלתן בסופן והמ״י”.
- 6נעוץ תחלתן בסופן · Sefer Yetzirah 1:7
- 7וע׳ במ״א ע״פ ולשרקה · ראה לקמן מז, א.
- 8אם לא שויתי ודוממתי · Psalms 131:2
- 9ואחר האש קול דממה דקה . . תמן קאתי מלכא · I Kings 19:12
- 10תמן קאתי מלכא · Tikkunei Zohar 3b:2–3
- 11(וע׳ במ״א . . ביטול ממש) · בכת״י ליתא.
“Tua mão sobre a nuca de teus inimigos” ¶13–14
13והנה עי״ז ידך בעורף אויביך.1 אויביך הם עניני העולם וצרכי הגוף הגשמי. הגם שאדם צריך להם מ״מ צריכין להיות בבחי׳ עורף ולא פנים
Agora, por meio disso, “tua mão [esteja] sobre a nuca dos teus inimigos”. “Teus inimigos” são os assuntos do mundo e as necessidades do corpo físico: embora a pessoa precise deles, ainda assim devem estar no nível da nuca, e não do rosto.
O reconhecimento de Yehudah na oração dá à pessoa a força para as palavras seguintes do versículo: “tua mão sobre a nuca dos teus inimigos”. Os “inimigos” são os assuntos do mundo e as necessidades do corpo: a pessoa precisa deles, mas deve lidar com eles como se estivesse de costas para eles, por assim dizer, e não de frente.
(בחי׳ פנים היינו שעושה הדבר בלב ונפש ובחי׳ עורף היינו בחי׳ אחוריים כמאן דשדי בתר כתפי׳ [כתפיה]2 בע״כ [בעל כרחך] וכאלו כפאו וכו׳).34
(O nível do rosto significa que a pessoa faz algo com o coração e a alma; e o nível da nuca significa o nível das costas, como alguém que lança [algo] por trás do ombro, contra a própria vontade, e “como se fosse coagido”, etc.).
Fazer algo “com o rosto” significa fazê-lo com o coração e a alma; fazê-lo “com a nuca” significa fazê-lo de costas, com relutância, como alguém que lança algo por cima do ombro, como se estivesse sob coerção. As palavras “como se fosse coagido” seguem a expressão do Talmud (Nedarim 20b), “como se um demônio o coagisse”, dita a respeito de um ato corporal realizado sem buscar o prazer que proporciona.
E “tua mão” está sobre a nuca dos teus inimigos: não leias yadcha (“tua mão”), mas yudecha (“teus yuds”). E esse é o nível da própria “Tua mão”, pois “Tua mão direita está estendida para receber os que retornam”.
Lida como yudecha, “teus yuds”, a palavra “tua mão” aponta para a própria mão de D'us, a mão direita que, nas palavras da oração de Neilá de Yom Kipur, está “estendida para receber os que retornam”.
הוא בחי׳ ימין וחסד שנתפשט למטה מטה וכענין וירא ישראל את היד הגדולה7 אשר עשה ה׳ במצרים
É o nível da direita e de Chessed (bondade), que se estende até os lugares mais baixos; e é como o que se diz: “Israel viu a grande mão que Havayá fizera no Egito”.
É o lado direito, a bondade de D'us (Chessed), que chega até os lugares mais baixos, como a “grande mão” que Israel viu no Egito.
כי הנה הירידה הגדולה הזאת שהוא בבחי׳ אחוריים וכאלו כפאו. מי גרם להמשיך את האדם להיות מוכרח לזה ודאי מאת ה׳ ומידו היתה זאת כדי לאתהפכא חשוכא לנהורא שיתפלל בכח האכילה וכו׳ וכיוצא בזה
Pois eis que essa grande descida, que está no nível das costas e é “como se fosse coagida” — quem fez com que a pessoa fosse levada a ser obrigada a isso? Certamente, isso veio de D'us e de Sua mão, a fim de transformar a escuridão em luz: para que ela reze com a força que lhe vem da comida, etc., e coisas semelhantes.
A grande descida da pessoa às necessidades mundanas, como se fosse coagida, também vem da mão de D'us: foi o próprio D'us quem levou a pessoa a precisar dessas coisas, para que a escuridão se transforme em luz — por exemplo, para que ela reze com a força que obtém ao comer.
רק שצריך שלא יומשך בבחי׳ פנימיות אלא בבחי׳ עורף ובחינת עורף זה יוכלל בבחי׳ ידך יודי״ך.
Somente, ela não deve ser atraída [para isso] no nível da dimensão interior (pnimiyut), mas no nível da nuca; e esse nível da nuca poderá ser incluído no nível de “tua mão”, yudecha.
A condição é que a pessoa não se deixe atrair interiormente por esses assuntos, mas lide com eles apenas “com a nuca”. Então, até mesmo essa “nuca” é incluída na mão de D'us, yudecha.
O reconhecimento de Yehudah permite que a pessoa lide com as necessidades mundanas “com a nuca”, e não com o rosto, de modo que até elas sejam incluídas na mão estendida de D'us e a escuridão se transforme em luz.
A nota de Kehot relaciona a nuca a Tanya, capítulo 22, onde “as costas” (achorayim) são como um presente que alguém lança com relutância por cima do ombro para um inimigo. Aqui, a mesma imagem serve à santidade: a pessoa oferece ao mundo apenas as costas, e a mão de D'us, Sua bondade que chega até os lugares mais baixos, transforma até mesmo isso em luz.
Marei mekomot
- 1ידך בעורף אויביך · Genesis 49:8
- 2כמאן דשדי בתר כתפי׳ · Tanya, Likkutei Amarim 22:5
- 3(בחי׳ פנים . . וכאלו כפאו וכו׳) · בכת״י ליתא. ונמצא באוה׳ת ויחי תתשמ, א.
- 4וכאלו כפאו וכו׳ · Nedarim 20b
- 5א״ת ידך אלא יודי״ך · ת״ז בהקדמה.
- 6א״ת ידך אלא יודי״ך · Tikkunei Zohar 7b:2
- 7וירא ישראל את היד הגדולה · Exodus 14:31
14והוא בחי׳ ידך של יהודה כו׳ לפי שהוא בחי׳ הודאה וביטול בבחי׳ סוכ״ע1 השוה ומשוה כו׳ גם חשך לא יחשיך וכחשיכה כאורה2 גשמיות ורוחניות שוין
E este é o nível da “tua mão” de Yehudah, etc., pois é o nível do reconhecimento e da autoanulação (bitul) diante da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), [que] “é igual e iguala”, etc.: “nem mesmo a escuridão escurece” e “a escuridão é como a luz” — o físico e o espiritual são iguais.
A “mão” de Yehudah representa seu reconhecimento e seu bitul no nível da luz que circunda todos os mundos, diante da qual tudo é igual. Ali, “nem mesmo a escuridão escurece” e “a escuridão é como a luz”, e o físico e o espiritual são iguais.
שהרי כולם בחכ׳ [בחכמה] עשית שהחכמה היא עשיה גשמיות וא״כ גם האכילה ושארי ענינים הגשמיים הם לפניו ית׳ כמו רוחניות של חכמה מאחר שגם החכמה היא גשמיות וכו׳.
Pois, eis que: “Tu fizeste todos com Chochmá (sabedoria)” — isto é, Chochmá é “fazer” (assiá), materialidade. Sendo assim, também a alimentação e os demais assuntos materiais são, diante Dele, bendito seja, como a espiritualidade da Chochmá, pois também Chochmá é materialidade, etc.
“Tu fizeste todos com sabedoria” é interpretado como significando que até Chochmá é apenas “fazer”, algo físico, em relação a D'us. Sendo assim, a alimentação e os demais assuntos materiais são, diante Dele, como a espiritualidade da sabedoria.
וזאת היא מעלת יהודה אתה היינו בחי׳ הודאה בגילוי שבתפלה שתהי׳ [שתהיה] ידך בעורף אויביך בשעה שעוסק בעורף אויביך
E esta é a virtude de “Yehudah, tu”, isto é, o nível do reconhecimento revelado na oração: que “tua mão” esteja “sobre a nuca de teus inimigos” enquanto ele está ocupado com “a nuca de teus inimigos”,
Esta é a virtude de “Yehudah, tu”: o reconhecimento revelado na oração faz com que “tua mão” permaneça “sobre a nuca de teus inimigos” mesmo enquanto a pessoa está ocupada com assuntos mundanos.
ואזי חולפת ועוברת ממנו האהבה מ״מ נשאר רשימו וכו׳ אך היינו דוקא בבחי׳ עורף ולא פנים:3
e então, [embora] o amor passe e se afaste dele, ainda assim permanece o reshimu (impressão), etc. Mas isso se dá especificamente no nível da nuca, e não do rosto.
Então, embora o amor sentido durante a oração se desvaneça, permanece um reshimu (impressão) dele. Isso só ocorre quando os assuntos mundanos são tratados “pela nuca”, e não com o rosto.
Como o bitul de Yehudah alcança o nível em que o físico e o espiritual são iguais, sua expressão revelada na oração deixa uma impressão que acompanha a pessoa em seus assuntos mundanos, desde que estes sejam tratados “pela nuca”.
A nota da Kehot registra que Or HaTorah, no Siddur, pergunta como isso pode ser chamado de Yehudah, reconhecimento, uma vez que reconhecimento é aquilo que se diz sobre o que não se consegue apreender. Neste maamar, o reconhecimento de Yehudah é o bitul diante da luz que circunda todos os mundos (sovev kol almin), onde o físico e o espiritual são iguais.
Marei mekomot
- 1לפי שהוא בחי׳ הודאה וביטול בבחי׳ סוכ״ע · באוה״ת סדור ע׳ רנא הקשה איך זה נק׳ יהודה דההודאה היא כשאינו משיגו ע״ש.
- 2גם חשך לא יחשיך וכחשיכה כאורה · Psalms 139:12
- 3כולם בחכמה עשית · Psalms 104:24
“Os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti” ¶15
15אך עיקר הגורם לכל מעלת בחי׳ זו להיות יהודה אתה והגורם להיות יודוך אחיך ע״ז נאמר ישתחוו לך בני אביך
Mas a causa principal de toda a excelência deste nível — de que haja “Yehudah, és tu” — e a causa de que haja “teus irmãos te reconhecerão”: a respeito disso foi dito: “os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti”.
A causa fundamental tanto de “Yehudah, és tu” quanto de “teus irmãos te reconhecerão” é apresentada nas palavras finais do mesmo versículo: “os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti”.
כי הנה ההשתחוואה1 הוא בחי׳ המשכה וזהו ענין ההשתחוואו׳ [ההשתחוואות] שבשמ״ע [שבשמונה עשרה] שהן הן המשכות (ע׳ [עיין] ר״פ2 וישב והנה השמש וכו׳ משתחוי׳ [משתחוים] לי)
Pois, eis que a prostração é o nível da atração para baixo; e este é o sentido das prostrações na Shemoneh Esreh, que são justamente atrações para baixo (veja o início da Parashat Vayeshev, [sobre] “e eis que o sol”, etc., “se prostravam diante de mim”).
A prostração é uma atração para baixo; portanto, as prostrações da Shemoneh Esreh atraem para baixo o que vem do alto. O parêntese remete a Torah Ohr sobre Vayeshev, onde, ao tratar do sonho de Yosef em que o sol e a lua se prostravam diante dele (28c), o Alter Rebbe explica que a prostração tem dois aspectos: autoanulação e atração para baixo (a pessoa inclina a cabeça para atrair para baixo), como na prostração ao dizer “Bendito és Tu” na Shemoneh Esreh.
ובחי׳ אביך היינו בחי׳ כרחם אב על בנים3 אבינו אב הרחמן שהרחמנות הוא בחי׳ אב ותולדות הרחמנות הוא בחי׳ צדקה וחסד להחיו׳ רוח שפלים4 שכל העושה חסד במדה״ר [במדות הרחמים] לרחם על עניים ויתומים ה״ז [הרי זה] בבחי׳ בני אביך.
E o nível de “teu pai” é o nível de “como um pai se compadece de [seus] filhos”, “nosso Pai, o Pai misericordioso”; pois a compaixão é o nível de um pai, e os frutos da compaixão são o nível da caridade e da bondade, “para reanimar o espírito dos humildes”. Assim, todo aquele que pratica a bondade com o atributo da misericórdia, compadecendo-se dos pobres e dos órfãos, está no nível dos “filhos de teu pai”.
“Teu pai” é a compaixão de D'us, “como um pai se compadece de seus filhos”. A compaixão dá origem à caridade e à bondade; assim, quem ajuda os pobres e os órfãos por compaixão é um dos “filhos de teu pai”.
גם בחי׳ אביך היא התורה דאורייתא מחכמה נפקת5 שהוא בחי׳ אב וכמ״ש שמע בני מוסר אביך6 זו תושב״כ [תורה שבכתב]7 וכו׳ ובני אביך הם העוסקים בתורה
Além disso, o nível de “teu pai” é a Torá, pois “a Torá procede de Chochmá (sabedoria)”, que é o nível de “pai”; como está escrito: “Ouve, meu filho, a instrução de teu pai” — esta é a Torá Escrita, etc. E os “filhos de teu pai” são aqueles que se dedicam à Torá.
“Teu pai” também é a Torá, que procede de Chochmá, chamada “pai”, e “a instrução de teu pai” é a Torá Escrita. Portanto, aqueles que estudam Torá também são “filhos de teu pai”.
וזהו וישתחוו לך בני אביך8 שבני אביך הם העוסקים בתורה ובגמ״ח [ובגמילות חסדים] הם הם ישתחוו לך
E este é o sentido de “e os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti”: “os filhos de teu pai”, aqueles que se dedicam à Torá e à prática de atos de bondade, são os que “se prostrarão diante de ti”.
Aqueles que estudam Torá e praticam atos de bondade são os que “se prostram diante de ti”: como a prostração é uma atração para baixo, eles atraem para baixo o bitul de Yehudah.
וימשיכו אותך להיות נעוץ תחב״ס [תחלתן בסופן] שהתורה והגמ״ח [והגמילות חסדים] הם הנותנים כח בנפש לעורר את האוי״ר [האהבה ויראה] עד שתהי׳ [שתהיה] בחי׳ הודאה וביטול וע״י כן יודוך אחיך להיות יהודה אתה כנ״ל:
E eles te atraem para baixo, de modo que “seu início está encravado em seu fim”; pois a Torá e a prática de atos de bondade são o que dão força à alma para despertar amor e temor, até que se alcance o nível de reconhecimento e autoanulação (bitul); e, por meio disso, “teus irmãos te reconhecerão”, de modo que haja “Yehudah, és tu”, como explicado acima.
Eles o atraem para baixo, de modo que “seu início está encravado em seu fim”: a Torá e a bondade dão à alma força para despertar amor e temor, até que estes culminem em reconhecimento e bitul. Por meio deles, “teus irmãos te reconhecerão”, e o reconhecimento de Yehudah se revelará: “Yehudah, és tu”.
O parágrafo conclui o versículo: o estudo da Torá e a prática de atos de bondade, os “filhos” da sabedoria e da compaixão de D'us, são o que atraem para baixo e revelam o reconhecimento de Yehudah.
Os dois sentidos de “teu pai” — compaixão e Chochmá — correspondem às duas práticas, bondade e Torá, que impulsionam toda a sequência de amor, temor e bitul. As notas da Kehot remetem “a Torá procede de Chochmá” ao Zohar, e a interpretação de “a instrução de teu pai” como a Torá Escrita a Iggeres HaKodesh 29, que a fundamenta no Zohar.
Marei mekomot
- 1אך עיקר הגורם לכל . . כי הנה ההשתחוואה · בבוך 633: אך עיקר השתחוואה הוא בחי׳ המשכה וזהו ענין ההשתחוואה: שבשמו״ע.
- 2(ע׳ ר״פ . . ליל) · בכת״י ובאוה״ת ויחי תתשמ, ב (שנדפס מגוכתי״ק הצ״צ קודם הדפסת התו״א) ליתא.
- 3כרחם אב על בנים · Psalms 103:13
- 4רוח שפלים · Isaiah 57:15
- 5דאורייתא מחכמה נפקת · Zohar II, 121a
- 6שמע בני מוסר אביך · Proverbs 1:8
- 7מוסר אביך זו תושב״כ · Zohar II, 276b
- 8ישתחוו לך בני אביך · Genesis 49:8
Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
Antes da Shemoneh Esreh, recorra a Pesukei deZimra, ao Shema e às suas bênçãos para contemplar a grandeza de D'us até que o conhecimento se transforme em amor e temor sentidos, e para levar a Torá ao coração; então, na Shemoneh Esreh, incline-se em verdadeira autoanulação, como se o Rei estivesse diante de si. Depois, cuide da alimentação e das necessidades mundanas somente “pela nuca”, sem lhes entregar o coração, para que permaneça a impressão da oração; e fortaleça todo o processo por meio do estudo da Torá e de atos de bondade.
Perguntas para conversar
- Por que o conhecimento de que D'us existe não dá origem ao amor por si só, e o que transforma o saber em “ver”?
- Em que sentido toda pessoa é um baal teshuvah, mesmo quem não pecou?
- Como Reuven, Shimon e Levi correspondem às partes das orações da manhã, e por que devem vir antes da Shemoneh Esreh?
- Como o maamar distingue o reconhecimento que está abaixo do amor e do temor do reconhecimento de Yehudah, que está acima deles?
- O que significa lidar com as necessidades mundanas “pela nuca”, e não com o rosto, e o que permanece da oração quando se age assim?