Likkutei Torah · Parshas Shir HaShirim · Maamar 3
לריח שמניך טובים שמן תורק שמך על כן עלמות אהבוך
Para a fragrância, bons são os teus óleos
A ideia central
A contemplação, o “vinho” da Torá, só move um coração capaz de ser movido; mas a própria Torá, o “óleo” extraído da sabedoria superna de D'us e de níveis ainda mais elevados, alcança até um coração selado, de modo que também “as donzelas” chegam a amar D'us.
O maamar em resumo
A Torá é chamada tanto de vinho quanto de óleo. O vinho é a contemplação de como D'us cria continuamente o mundo: ela revela o “segredo” oculto e produz amor e temor, fazendo do povo judeu uma “noiva” que recebe a luz de D'us. Mas alguns corações permanecem selados; estes são as “donzelas”. Para elas, o remédio é o óleo, a própria Torá. Assim como o óleo que escorre de um recipiente virado para baixo, a Torá desceu às letras físicas, às narrativas e às leis, mas seus elementos mais inferiores têm a raiz mais elevada. Suas letras são “cavalos” que conduzem a pessoa para o alto, embora D'us queira que a mente esteja envolvida ou, pelo menos, que haja um anseio humilde por Ele. Nas leis da Torá Oral está presente a própria essência da Chochmá superna (“óleo derramado”), enquanto as letras e narrativas da Escritura, bem como os segredos da Cabalá, oferecem uma “fragrância” proveniente de um nível ainda mais elevado. O maamar relaciona isso aos três terços do estudo: Escritura, Mishná e Talmud, e conclui que ambos os níveis são necessários. Como a fonte da Torá é tão elevada, ela pode gravar-se até na alma animal e no coração físico.
Esquema
- Vinho: a contemplação e a noivaA contemplação da realeza de D'us revela a divindade oculta e produz amor e temor; as “donzelas” são aquelas cujos corações permanecem selados.¶1
- Óleo derramado: as letras da ToráA Torá, como um recipiente virado para baixo, desceu às letras cuja raiz é a mais elevada; as letras são “cavalos” que elevam a pessoa quando a mente está envolvida.¶2–3
- Anseio pela bondade de D'usQuem não é movido pela contemplação deve humilhar-se e desejar a divindade; esse anseio, e até mesmo a fé simples, atraem a bondade de D'us.¶3–4
- Chochmá superna nas leisA própria essência da sabedoria de D'us está revestida nas leis práticas, a “barba” sobre a qual escorre o óleo da unção; sua raiz é tão elevada que ela também é “óleo fragrante”.¶5–6
- Noivado e casamentoSegundo o Midrash, a fragrância é um fluxo exterior e o óleo derramado é um fluxo interior; por meio da aceitação da realeza de D'us, todo judeu recebe ambos no estudo da Torá.¶7–8
- Por que o óleo alcança o coração seladoO óleo está acima do vinho, assim como a Chochmá superna está acima da Biná; quanto mais elevado o nível, mais baixo ele alcança, chegando até o coração físico.¶9
- Escritura, Mishná e TalmudA Mishná e o Talmud, cuja sabedoria é apreendida, são óleo derramado; a Escritura e a Cabalá, conhecidas apenas como fragrância, provêm de uma fonte mais elevada; ambos são necessários.¶10
Conceitos-chave
- Vinho e óleoיין ושמן
- Duas imagens da Torá: o vinho é a contemplação (Biná), que revela o que está oculto; o óleo é a própria Torá, cuja raiz está na Chochmá superna e acima dela.
- Aquele cujo coração está seladoמי שלבו אטום
- Uma pessoa que não é movida pela contemplação a amar e temer; as “donzelas” (alamos) do versículo.
- Óleo derramadoשמן תורק
- Óleo derramado de um recipiente virado para baixo: a essência mais elevada desce ao lugar mais inferior, às leis e letras da Torá.
- Fragrânciaריח
- Um vislumbre que alcança a pessoa sem ser apreendido, como ao ler a Escritura ou estudar Cabalá; provém de um nível ainda mais elevado, o “óleo fragrante”.
- Noiva e noivoכלה וחתן
- A Congregação de Israel (e a Torá Oral) recebendo de D'us (e da Torá Escrita); o noivado é um fluxo exterior, e o casamento, um fluxo interior.
- Letras como cavalosאותיות נקראו סוסים
- As letras da Torá e da oração conduzem a pessoa muito além de seu próprio nível, embora D'us queira que a mente também esteja envolvida.
- Chochmá supernaחכמה עילאה
- A própria sabedoria de D'us, cuja essência está revestida nas leis práticas da Torá.
Vinho: a contemplação e a noiva ¶1
“Pois os teus óleos são bons para a fragrância; teu nome é óleo derramado; por isso as donzelas te amam.”
O maamar começa com Shir HaShirim 1:3, que interpretará como uma descrição de duas maneiras pelas quais a Torá alcança a pessoa: como “fragrância” e como “óleo derramado”. A frase final, “por isso as donzelas te amam”, é o objetivo: que até mesmo aqueles que ainda não foram despertados passem a amar D'us.
(רבות בשה״ש ע״פ זה ובפסוק שובי שובי השולמית3 ור״פ לך לך ויקרא ספ״ג נשא פי״ג בקרבן נחשון גבי בלולה בשמן ור״פ תבא) הנה פעמים נקרא התורה יין ופעמים שמן4 כי טובים דודיך מיין.5
(Veja Midrash Rabbah sobre Shir HaShirim a respeito deste versículo e do versículo “Volta, volta, ó Shulamit”; e no início de Lech Lecha; Vayikra [Rabbah], fim do capítulo 3; Nasso, capítulo 13, sobre a oferenda de Nachshon, a respeito de “misturada com óleo”; e no início de Tavo.) Ora, às vezes a Torá é chamada de vinho e, às vezes, de óleo: “pois o teu amor é melhor que o vinho”.
O parêntese enumera lugares no Midrash que tratam deste versículo e da imagem do óleo. O Midrash sobre Shir HaShirim compara a Torá tanto ao vinho quanto ao óleo, e o Alter Rebe mostrará que são duas maneiras distintas pelas quais a Torá atua na pessoa.
הענין דכתיב (זכרי׳ ט׳ י״ז) ותירוש ינובב6 בתולות ובגמ׳ פ״ק דב״ב (די״ב) מי שלבו אטום כו׳ היין מפקחו נכנס יין יצא סוד7 השמחה שהי׳ בהסתר מתגלה כו׳.
O assunto [é o seguinte]. Está escrito (Zecharyá 9:17): “e o vinho novo fará florescer as donzelas”; e na Guemará, primeiro capítulo de Bava Basra (12b): “aquele cujo coração está fechado” etc., “o vinho o abre”; “entrou o vinho, saiu o segredo”: a alegria que estava oculta é revelada etc.
O vinho revela: abre um coração fechado e traz à tona o que estava oculto. O Talmud faz um jogo com o fato de que as palavras hebraicas para “vinho” (yayin) e “segredo” (sod) têm ambas o valor numérico setenta; assim, quando o vinho entra, o segredo sai. Aqui, o “segredo” oculto é uma alegria interior.
ובעבודת ה׳ כי טובים דודיך מיין פי׳ דודיך אהוי״ר בהתלהבות הבא מהתבוננות שהוא בחי׳ יין בינה להתבונן איך שמלכותך עלמא דאתגלייא הוא בחינת התגלות מאין ליש מחיה בחי׳ מקום וזמן וממשלתך בכל דור ודור8 כו׳.
E, no serviço a D'us, “pois o teu amor é melhor que o vinho” significa: “teu amor” é amor e temor com fervor, que surgem da contemplação, o nível do vinho, Biná (entendimento): contemplar como “teu reinado”, o mundo revelado, é o nível da revelação, [trazendo] algo a partir do nada e dando vida às dimensões do espaço e do tempo, “e teu domínio se estende por todas as gerações” etc.
No serviço Divino, “vinho” representa Biná, a contemplação ponderada. A pessoa reflete sobre como o reinado de D'us, o “mundo revelado”, constantemente faz tudo surgir do nada, inclusive o próprio espaço e tempo; dessa reflexão surgem o amor e o temor fervorosos, “teu amor”.
וזהו בחי׳ הסוד המוסתר בתוך העולמות עד שנדמה העולם ליש בפני עצמו. והדחילו והרחימו שנולד מזה ההתבוננות יצא הסוד הנ״ל כאלו נראה בחי׳ האלקות איך דכולא קמיה כלא חשיב9 ממש כידוע כו׳.
E este é o nível do segredo oculto nos mundos, a ponto de o mundo parecer uma existência independente. O temor e o amor que nascem dessa contemplação são “saiu o segredo”, mencionado acima, como se o nível da Divindade fosse visto: como “tudo diante d'Ele é considerado verdadeiramente como nada”, como é sabido etc.
O “segredo” é a Divindade oculta na criação, tão bem escondida que o mundo parece existir por si mesmo. Quando a contemplação produz amor e temor, esse segredo “sai”: a pessoa sente, como se o visse, que tudo é como nada diante de D'us.
(וזהו ענין מי גילה לבני רז זה10 מי היינו בינה והוא ענין גילוי החסדים המכוסים ביסוד אימא היינו גילוי האהוי״ר כו׳).
(E este é o significado de “Quem revelou este segredo a Meus filhos?”: “Quem” (Mi) é Biná; e trata-se da revelação das bondades (chasadim) ocultas no Yessod de Imá, isto é, a revelação do amor e do temor etc.)
O Talmud registra a pergunta de D'us: “Quem revelou este segredo a Meus filhos?” A palavra “Quem” (Mi) é um nome cabalístico de Biná; as “bondades ocultas” no Yessod de Imá são o amor e o temor latentes no entendimento, que a contemplação traz à luz.
וידוע שכנ״י נק׳ כלה והוא בהיות שהסוד יצא בהתגלו׳ שמאיר אור אלקות בנשמות ישראל. וזה נק׳ כד קבילת דכר
E é sabido que a Congregação de Israel é chamada “noiva”; isso ocorre quando o segredo vem à revelação, de modo que a luz da Divindade brilha nas almas de Israel. E isso é chamado “quando ela recebeu o masculino”
O povo judeu como um todo é chamado de “noiva” de D'us. Torna-se noiva nesse sentido pleno quando a Divindade oculta é revelada e brilha em suas almas, o que o Zohar denomina “quando ela recebeu o masculino”.
(בזהר בא דל״ח ע״ב וע׳ בזהר הרקיע שם ובסה״מ ד״ט ע״א סי׳ כ״א) שהקב״ה נק׳ חתן.
(no Zohar, Bo, 38b; e veja Zohar HaRakia ali, e a obra abreviada como Seh"m, fólio 9a, seção 21), pois o Santo, bendito seja Ele, é chamado “noivo”.
O Zohar chama D'us de “noivo”, que concede à Congregação de Israel, Sua noiva. O parêntese fornece o local no Zohar e mais duas referências a respeito da passagem.
וכלה לית לה מגרמה כלום כ״א מה שנותנים לה מלמעלה כי בועליך עושיך כו׳ וכבוד ה׳ עליך זרח11
E a noiva nada tem de próprio, exceto o que lhe é dado do alto: “pois teu Marido é teu Criador” etc., e “a glória de D'us brilhou sobre ti”,
Nesta imagem, a noiva nada possui de próprio; toda a sua luz lhe é dada do alto. Os versículos de Yeshayáhu dizem que seu Marido é seu Criador e que a glória de D'us brilhou sobre ela: sua luz vem d'Ele.
כי אשב בחושך12 ה׳ אור לי ואתקרי׳ בחי׳ נערה בה׳ ה׳ גבורות דדכורא שנותן לה בביאה ראשונה שהם דודיך הנ״ל עיקרם מעלמא דאתכסייא
“Embora eu me sente na escuridão, D'us é uma luz para mim.” E ela é chamada o nível de na'ará (donzela), com um hei: as cinco Guevurot do masculino, que ele lhe dá na primeira união; estas são “teu amor”, mencionado acima, cuja essência provém do mundo oculto,
O versículo de Michá acrescenta que, mesmo na escuridão, sua luz é D'us. Os cabalistas interpretam a palavra na'ará (donzela), escrita com um hei final, como uma alusão às “cinco Guevurot” que o masculino lhe dá; elas são identificadas com o “amor” do versículo, cuja origem está no mundo oculto superior.
אלא שיוצאים דרך נוק׳ כו׳ (וע׳ בפע״ח שער ק״ש שעל המטה פי״א ד״ה לקוטים ופרק ו׳ ובמק״מ ר״פ צו)
exceto que vêm à expressão por meio de Nukvá etc. (E veja Pri Etz Chaim, Portal do Shemá antes de dormir, capítulo 11, a seção que começa “Likkutim”, e capítulo 6; e Mikdash Melech no início de Tzav.)
Embora as cinco Guevurot tenham origem no alto, só chegam à revelação por meio de Nukvá, o nível feminino receptor. O parêntese indica onde Pri Etz Chaim, do Arizal, e o comentário ao Zohar Mikdash Melech tratam do assunto.
ועד לא קבילת שעדיין לא זרח אור אלקות בתוכה ונק׳ נער בלא ה׳ גבורות הנ״ל והוא מי שלבו אטום כבתולה13 שלא נתפעל בדו״ר מענין התבוננות עלמא דאתגלייא הנ״ל ונקרא עלמות
E antes de receber, quando a luz da Divindade ainda não brilhou dentro dela, ela é chamada na'ar, sem o hei, [isto é,] sem as cinco Guevurot mencionadas acima. E este é aquele cujo coração está fechado, como uma virgem que não foi despertada ao temor e ao amor pela contemplação do mundo revelado mencionada acima; e [estas] são chamadas “donzelas” (alamot).
Antes de a noiva receber essa luz, ela é chamada na'ar, escrita sem o hei, como a palavra aparece em partes de Devarim. Na pessoa, isso corresponde àquele “cujo coração está fechado”, não comovido pela contemplação; tais pessoas são as “donzelas” (alamot) do versículo.
(ועמ״ש ע״פ עיני כל שאז נק׳ כל חסר ה׳ דכלה ה״ג דדכורא כו׳ ועמ״ש מזה בד״ה יחיינו מיומים כו׳ ועמ״ש ע״פ וארשתיך לי כו׳ וע״פ ואשה כי תדור כו׳ וע״פ כי תצא כו׳ ואח״כ תבא אליה כו׳ וע״פ טוב לחסות):14151617
(E veja o que foi escrito sobre “Os olhos de todos”: então ela é chamada kol (tudo), sem o hei de kalah (noiva), [que corresponde às] cinco Guevurot do masculino etc.; e veja o que foi escrito sobre isso no maamar que começa “Ele nos reviverá depois de dois dias” etc.; e veja o que foi escrito sobre “Eu te desposarei comigo” etc., e sobre “Quando uma mulher fizer um voto” etc., e sobre “Quando saíres” etc., “e depois entrarás a ela” etc., e sobre “É bom refugiar-se”.)
Este parêntese remete o leitor a vários outros maamarim que desenvolvem a mesma ideia. Um deles observa que kalah (noiva), sem o hei, é apenas kol (tudo): uma noiva que ainda não recebeu as cinco Guevurot do masculino.
O primeiro parágrafo apresenta o versículo e a primeira imagem, o vinho: a contemplação de como D'us cria e governa o mundo produz amor e temor; por meio disso, o povo judeu torna-se uma “noiva” que recebeu a luz de D'us. Em seguida, define o problema que o maamar resolverá: as “donzelas”, cujos corações permanecem fechados e não são comovidos por tal contemplação.
As cinco Guevurot que o masculino dá na “primeira união” são um tema do Arizal (Pri Etz Chaim, Portal do Shemá antes de dormir): são elas que tornam o feminino um receptor completo. O jogo entre na'ar e na'ará, e entre kol e kalah, interpreta a letra hei ausente ou presente como a presença ou ausência dessa dádiva.
Marei mekomot
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- 12כי אשב בחושך ה׳ אור לי · Micah 7:8
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Óleo derramado: as letras da Torá ¶2–3
2והעצה שיהי׳ אף בחי׳ עלמות אהבוך הוא בחי׳ שמן לריח שמניך1 טובים2. והתורה נק׳ שמן תורק שהורק מכלי אל כלי שמה שלמטה בא למעלה
E o conselho para que também exista o nível de “as donzelas te amam” é o nível do óleo: “pois teus óleos são bons para a fragrância”. A Torá é chamada “óleo derramado” (shemen turak), [óleo] derramado de um recipiente para outro, de modo que o que estava embaixo chega ao alto,
A solução para o coração fechado é a segunda imagem, o óleo, que representa a própria Torá. A expressão “óleo derramado” descreve óleo transferido de um recipiente para outro, quando o recipiente é virado de cabeça para baixo.
שהוא מתהפך כו׳ אז עולה הריח משולי הכלי הראשון ובמלואו משמן הי׳ הריח למטה כנ״ל כו׳
pois ele é virado etc.; então a fragrância sobe do fundo do primeiro recipiente, enquanto, quando estava cheio de óleo, a fragrância ficava embaixo, como mencionado acima etc.
Quando um recipiente de óleo está cheio, sua fragrância permanece no nível do óleo. Quando é esvaziado ao ser virado, a fragrância sobe do fundo do primeiro recipiente: o que estava mais embaixo agora fica em cima.
והנמשל שהתורה נשתלשלה בעניני גשמיות וסיפורי מעשיות ואותיות גשמיות ה׳ בחכמה יסד ארץ3 אבא יסד ברתא4 שמתהפך מה שלמטה למעלה ומה שלמעלה למטה כו׳.
E o sentido da analogia é que a Torá desceu gradualmente a assuntos físicos, narrativas de acontecimentos e letras físicas: “D'us fundou a terra com sabedoria”; “Abá fundou a filha”; de modo que o que está embaixo é elevado e o que está em cima é rebaixado etc.
A Torá também desceu da sabedoria de D'us para coisas físicas, histórias e letras escritas. O versículo “D'us fundou a terra com sabedoria” e a expressão do Zohar “Abá (Chochmá) fundou a filha (Malchut)” dizem que o nível mais elevado está alojado no mais baixo, invertendo a ordem.
וזהו שמן תורק שמך כל התורה הם שמותיו של הקב״ה56 אז לריח שמניך כו׳ ואותיות נקראו סוסים שבאים מהשתלשלות רבות מעלמא דדכורא בחי׳ שמן כו׳
E este é o significado de “teu nome é óleo derramado”: toda a Torá são os Nomes do Santo, bendito seja Ele; então [vem] “pois teus óleos são bons para a fragrância” etc. E as letras são chamadas “cavalos”, pois vêm por muitas etapas de descida desde o mundo masculino, o nível do óleo etc.
Toda a Torá é composta pelos Nomes de D'us e, por isso, é “teu nome é óleo derramado”. As letras são chamadas “cavalos” porque, embora desçam por muitas etapas, carregam a pessoa de volta para o alto; sua fonte é o “mundo masculino”, o nível do óleo.
(E é chamada “óleo derramado”, que é virado etc., pois as letras, embora estejam abaixo do intelecto e dos atributos emocionais (midot), são chamadas “pedras” em Sefer Yetzirah, sendo o nível do inanimado,
As letras parecem ser a parte mais baixa do pensamento e da fala, abaixo do intelecto e dos sentimentos. Sefer Yetzirah chama as letras de “pedras”, como objetos inanimados que não têm vida própria.
אבל שרש האותיות והדומם מקורם למעלה מהשכל אלא שהוא כחותם המתהפך910 כו׳ ועמ״ש ע״פ מזמור שיר חנכת הבית מענין אותיות ואבנים כו׳ וע״פ ויגש אליו יהודה כו׳.
no entanto, a raiz das letras e do inanimado tem sua fonte acima do intelecto, apenas é como um selo invertido etc. E veja o que foi escrito sobre “Um salmo, um cântico para a dedicação da Casa”, a respeito das letras e das pedras etc., e sobre “E Yehudá se aproximou dele” etc.
Ainda assim, a fonte das letras, assim como a do inanimado, está acima do intelecto; como num selo, o que é mais elevado acaba embaixo quando é impresso. O parêntese cita dois maamarim que tratam das letras e das pedras.
וזהו לריח שמניך שנמשכין משמן המריח שהוא בחי׳ ומדרגת שמן המשחה. ועמ״ש מענין אפרסמונא דכיא בביאור ע״פ מי יתנך כו׳ ועמ״ש מענין שמן המשחה)
E este é o significado de “pois teus óleos são bons para a fragrância”, que são atraídos do óleo fragrante, o nível e a categoria do óleo da unção. E veja o que foi escrito sobre “bálsamo puro” na explicação sobre “Ah, se fosses [como meu irmão]” etc.; e veja o que foi escrito a respeito do óleo da unção)
A “fragrância dos teus óleos” provém do óleo fragrante, comparado ao óleo da unção do Templo, um nível superior ao do óleo comum. O parêntese remete a outros lugares que tratam do “bálsamo puro” e do óleo da unção.
(mais adiante), na Parshá Nasso, sobre “Esta foi a dedicação do altar no dia em que foi ungido” etc.; e no Ramaz sobre a Parshá Emor (89), a respeito de “aquele óleo sublime” etc.
A referência prossegue: um maamar na Parshá Nasso sobre a dedicação do altar “no dia em que foi ungido”, e o Ramaz, comentário ao Zohar, que fala de um “óleo sublime”.
וע׳ באגה״ק ד״ה ויעש דוד בענין שרש האותיות שמקורן הוא משכל הנעלם וקדמות השכל כו׳
E veja Igueret HaKodesh, a seção que começa “E David fez”, a respeito da raiz das letras, cuja fonte é o intelecto oculto e a origem do intelecto etc.
Igueret HaKodesh, a quarta parte do Tanya, explica que as letras têm raiz no “intelecto oculto” e na “origem do intelecto”, um nível acima do pensamento revelado. Isso sustenta a afirmação de que as humildes letras provêm de uma fonte muito elevada.
ועמ״ש ס״פ מקץ בד״ה נר חנוכה14 מצוה כו׳ שאותיות התורה שרשן למעלה מעלה מבחי׳ התורה כו׳
E veja o que foi escrito no fim da Parshá Miketz, no maamar que começa “A lâmpada de Chanucá é uma mitsvá” etc., que as letras da Torá têm sua raiz muito, muito acima do nível da própria Torá etc.
Em Torah Ohr, no maamar sobre a lâmpada de Chanucá, o Alter Rebe ensina que as letras da Torá têm sua raiz ainda mais alto que o conteúdo da Torá. Assim, a forma escrita não é apenas um recipiente para ideias.
וע״ש שבתורה נאמר ותורה אור15 והאותיות שרשן מבחי׳ אויר שהוא מקור האור כו׳ ואויר היינו רוח.1617181920212223242526272829
E veja ali que sobre a Torá está dito “e a Torá é luz”, enquanto as letras têm sua raiz no nível do ar (avir), fonte da luz (or) etc.; e ar é ruach (sopro).
A Torá é chamada “luz” (or), mas as letras têm sua raiz no “ar” (avir), que é or com um yud acrescentado, a fonte da luz. Ar é sopro, ruach, o que conduz ao vínculo do parágrafo seguinte entre ruach e rei'ach, fragrância.
O segundo parágrafo apresenta o óleo como solução para o coração fechado: a Torá é “óleo derramado”, que desceu até as letras físicas e as histórias, mas, como um recipiente invertido, sua parte mais baixa — as letras — tem a raiz mais elevada. Essa raiz elevada é o que a expressão “fragrância dos teus óleos” designa.
A imagem do selo invertido, em que o princípio fica encaixado no fim, é um princípio do Pardes de Rabi Moshe Cordovero e de Sefer Yetzirah que o Alter Rebe utiliza em Igueret HaKodesh: os níveis mais baixos têm as raízes mais elevadas. Isso explica por que letras e objetos físicos podem elevar a pessoa mais do que o intelecto consegue.
Marei mekomot
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- 29וע״פ כי תצא · לעיל כי תצא לז, ד.
Anseio pela bondade de D'us ¶3–4
E este é o significado de “pois teus óleos são bons para a fragrância”, pois fragrância (rei'ach) e espírito (ruach) são uma mesma questão, como é explicado em outro lugar, e como disseram nossos Sábios sobre “minha fragrância agradável” (rei'ach nichochi): “uma satisfação de espírito (nachat ruach) diante de Mim” etc.
As palavras hebraicas para fragrância, rei'ach, e espírito ou sopro, ruach, compartilham a mesma raiz. Os Sábios interpretam a expressão da Torá para a “fragrância agradável” de uma oferenda como a “satisfação de espírito” de D'us; assim, a fragrância é uma questão de espírito e se liga ao “ar” no qual as letras têm sua raiz.
ולכן נק׳ האותיות סוסים שמגביהים מאד למעלה וכל העלאות ממטה למעלה ע״י האותיות דהרהור לא עביד מידי כו׳
Por isso as letras são chamadas “cavalos”, pois elevam muito alto, e todas as elevações de baixo para cima ocorrem por meio das letras, pois “o pensamento nada realiza” etc.
Como as letras têm uma raiz tão elevada, podem carregar a pessoa para cima, razão pela qual são chamadas “cavalos”. Toda ascensão se realiza por meio de letras efetivamente pronunciadas, pois o pensamento, sem palavras, não realiza nada.
ועיין במבוא שערים ש״ג ח״ג פ״ג בענין מפיו דעת3 כו׳ והרוכב על הסוס הסוס ישאנו למקום רחוק שלא היה יכול להגיע ברגלים כו׳.
E veja Mevo She'arim, Portal 3, Parte 3, capítulo 3, a respeito de “de Sua boca [vêm] conhecimento” etc. E [como acontece com] quem monta um cavalo: o cavalo o leva a um lugar distante, aonde não poderia ter chegado a pé etc.
Mevo She'arim, do Arizal, é citado a respeito do versículo “de Sua boca [vêm] conhecimento e entendimento”, que vincula a fala Divina ao conhecimento. Segue-se a analogia: montado a cavalo, o cavaleiro chega a lugares a que jamais poderia chegar a pé.
וכמ״כ עד״מ בשומו כל מחשבתו באותיות מגביהים ומעלים אותו למקום גבוה (וכמ״ש מזה לקמן סד״ה לסוסתי כו׳) אבל כתיב לא בגבורת הסוס יחפץ4 לא בשוקי האיש ירצה.5
Assim também, por meio de uma analogia, quando ele põe todo o seu pensamento nas letras, elas o elevam e o conduzem a um lugar alto (como foi escrito a respeito disso mais adiante, no fim do maamar que começa “À minha égua” etc.). Mas está escrito: “Ele não se agrada da força do cavalo nem se compraz nas pernas do homem”.
Da mesma forma, a pessoa que concentra todo o pensamento nas letras da Torá ou da oração é elevada por elas muito além de seu próprio nível. Mas o versículo adverte que D'us não se deleita com a força do cavalo nem com as pernas do cavaleiro, advertência explicada na parte seguinte.
פי׳ כשאינו מעמיק חב״ד שלו בהאותיות כ״א מחשבתו בלבד הרי זה כרכיבת הסוס בלבד שרגליו לבד דבוקים בסוס והסוס רץ והוא אינו עושה כלום כו׳
Isto é, quando ele não aprofunda Chochmá, Biná e Daat nas letras, mas apenas o pensamento, isso é como simplesmente montar a cavalo: apenas as pernas estão presas ao cavalo, e o cavalo corre enquanto ele nada faz etc.
Se a pessoa apenas mantém o pensamento nas palavras, sem envolver seu intelecto (Chochmá, Biná e Daat), é como um cavaleiro que apenas se senta no cavalo. O cavalo corre; o cavaleiro nada faz.
כ״א רוצה ה׳ את יראיו את המיחלים לחסדו6 פי׳ שיעמיק חב״ד שלו בהתבוננות גדולת ה׳ עם דיבוק מחשבתו בהאותיות
Ao contrário: “D'us se agrada dos que O temem, dos que esperam por Sua bondade”: isto é, que ele aprofunde Chochmá, Biná e Daat na contemplação da grandeza de D'us, junto com a adesão de seu pensamento às letras
O que D'us deseja, diz o versículo seguinte, são “os que O temem”. Isso significa unir a verdadeira contemplação da grandeza de D'us, com toda a mente, à ligação do pensamento às letras.
(ועמ״ש בפ׳ בשלח בד״ה לסוסתי וע״פ אז ישיר) וישים בלבו ענין עצה היעוצה כשרואה שהוא רחוק מאד מהתפעלות הלב והתלהבות מהתבוננות כו׳
(E veja o que foi escrito na Parshá Beshalach, no maamar que começa “À minha égua”, e sobre “Então [Moshe] cantou”.) E ele deve levar a sério o conselho bem ponderado quando percebe que está muito distante de ser despertado no coração e de sentir fervor [nascido] da contemplação etc.:
O parêntese remete a dois maamarim em Torah Ohr que tratam da imagem do cavalo. Em seguida vem um conselho prático para quem percebe que a contemplação não comove seu coração.
ומשפיל א״ע בתכלית לאמר מה אני כי יה יה לי התלהבות כי לבי אטום היות
deve humilhar-se completamente, dizendo: “Quem sou eu para ter fervor, pois meu coração está fechado, uma vez que
Essa pessoa deve humilhar-se por completo e dizer que não tem motivo para esperar fervor, pois seu coração está fechado. Trata-se da “donzela” do parágrafo 1, falando com sinceridade sobre si mesma.
כי אני מרוחק בתכלית הריחוק מה׳ אחד רק זאת בידו לבקש על נפשו לחפוץ לדבקה בה׳ והוא ענין המיחלים לחסדו שמצפים ומשתוקקים בתשוקה רבה שיהיה התגלחת אלקות כו׳.
estou absolutamente, absolutamente distante do D'us único?” Só isto está ao seu alcance: suplicar por sua alma, desejar apegar-se a D'us. E este é o significado de “os que esperam por Sua bondade”: aguardam e anseiam com grande desejo pela revelação da Divindade etc.
Ela deve admitir o quanto está distante de D'us e fazer aquilo que está ao seu alcance: suplicar e desejar apegar-se a D'us. Esse anseio corresponde a “os que esperam por Sua bondade”: aguardar com grande desejo que a Divindade lhe seja revelada.
O parágrafo 3 explica por que as letras, chamadas “cavalos”, elevam a pessoa, e adverte que pronunciar palavras sem envolver a mente é apenas montar. Para quem permanece com o coração insensível, prescreve humildade e anseio: fazer parte dos “que esperam por Sua bondade”.
A imagem do cavalo reaparece nos maamarim do Alter Rebe sobre “À minha égua”, em Torah Ohr, Beshalach: as letras carregam a alma como um cavalo carrega seu cavaleiro, para além da força deste. O ensinamento de que as ascensões ocorrem somente por meio de letras pronunciadas segue o princípio do Arizal de que o pensamento, por si só, não produz efeitos no alto.
Marei mekomot
- 1
- 2ריח ניחוחי נחת רוח לפני · Numbers 28:2
- 3מפיו דעת · Proverbs 2:6
- 4
- 5לא בגבורת הסוס יחפץ לא בשוקי האיש ירצה · Psalms 147:10
- 6רוצה ה׳ את יראיו את המיחלים לחסדו · Psalms 147:11
4ואני איני רוצה להיות נפרד כו׳. זהו פירוש לחסדו ח״ס דלי״ת התגלות אלקות. וזהו לצפירת תפארה למצפים תפארתו1 והדר גאונו ומזה יוכל להמשיך חסד ה׳ עליו שיתפעל לבו כו׳.
“E não quero me separar” etc. Este é o significado de “Sua bondade” (chasdo): chas dalet, [compaixão pelo dalet,] a revelação da Divindade. E este é o significado de “uma coroa de beleza” (tzefirat tif'arah): para os que aguardam (metzapim) Sua beleza e o esplendor de Sua majestade. E disso ele pode atrair para si a bondade de D'us, para que seu coração seja despertado etc.
O pedido da pessoa prossegue: ela não quer separar-se de D'us. A palavra chessed é interpretada como chas dalet, compaixão pelo dalet, a letra “pobre”, que representa o receptor que nada tem de próprio; a bondade de D'us é revelar a Divindade a quem dela carece. O Talmud interpreta a “coroa de beleza” (tzefirat) de Yeshayáhu como “os que aguardam (metzapim) Sua beleza”: o próprio anseio atrai a bondade de D'us, até que o coração seja despertado.
וכן בענין לימוד התורה שבע״פ התגלות רצונו ית׳ בזה העולם הגשמי טהור טמא ומותר אסור כו׳
E o mesmo vale para o estudo da Torá Oral: a revelação de Sua vontade bendita neste mundo físico — puro e impuro, permitido e proibido etc.
O mesmo se aplica ao estudo da Torá Oral, no qual a vontade de D'us é revelada nos detalhes deste mundo: o que é puro e impuro, permitido e proibido. Também por meio desse estudo, quem anseia por D'us pode atrair para si Sua bondade.
ומי שאין לו אפי׳ בחי׳ המיחלים לחסדו הנ״ל עליו כתיב זכר חסדו ואמונתו2 לבית ישראל בחי׳ נוק׳ כו׳ על ישראל אמונתו. ולבית ישראל ממשיך גם אמונה כו׳:34
E aquele que não tem nem sequer o nível de “os que esperam por Sua bondade” mencionado acima: a respeito dele está escrito “Ele se lembrou de Sua bondade e de Sua fidelidade para com a Casa de Israel”, o nível de Nukvá etc.; “sobre Israel, Sua fidelidade”. E à Casa de Israel Ele também atrai a fé etc.
Para quem não tem sequer esse anseio, o versículo diz que D'us “se lembrou de Sua bondade e de Sua fidelidade para com a Casa de Israel”. A “Casa de Israel” é Nukvá, o nível receptor, e D'us lhe concede fé, vínculo com Ele que não depende do sentimento da pessoa.
O parágrafo 4 completa o conselho prático: o anseio dos “que esperam por Sua bondade” atrai a bondade de D'us, até que o coração seja despertado. Mesmo quem não tem tal anseio recebe fé quando D'us se lembra da “Casa de Israel”.
Malchut é chamada dalet porque, como o pobre (dal), “nada tem de próprio” (compare com a noiva do parágrafo 1). Interpretar chessed como chas dalet faz da bondade de D'us precisamente a dádiva de luz àquele que dela carece.
Marei mekomot
- 1לצפירת תפארה למצפים תפארתו · Megillah 15b:3
- 2זכר חסדו ואמונתו · Psalms 98:3
- 3
- 4
Chochmá superna nas leis ¶5–6
5ולתוספת ביאור ענין שמן תורק הוא עפמ״ש במ״א פי׳ הזהר (בראשית דכ״ז ע״ב) בענין משנה אתתא דההוא נער כו׳
Para explicar mais o significado de “óleo derramado”: isso corresponde ao que foi escrito em outro lugar, na explicação do Zohar (Bereishit, 27b) sobre “a Mishná é a esposa daquele jovem” etc.,
Aqui o maamar aprofunda o significado de “óleo derramado”. Baseia-se numa passagem do Zohar que chama a Mishná de “esposa” daquele “jovem” (o anjo Metatron), imagem da Torá Oral como nível feminino receptor.
שבדיני התורה הנגלית שלפנינו מלובש ונמשך בזה עצמיות ח״ע מה שאין גילוי זה אפי׳ בעולמות העליונים
que nas leis da Torá revelada diante de nós está revestida e é atraída a própria essência da Chochmá superior, uma revelação que não existe nem sequer nos mundos superiores,
A afirmação é surpreendente: nas leis práticas da Torá está presente a própria essência da sabedoria de D'us. Tal revelação não existe nem mesmo nos mundos espirituais superiores.
כי גם בג״ע מאיר רק זיו השכינה והארה לבד מח״ע כו׳ וכמ״ש הטעם לזה במ״א (גבי פורים בד״ה כי אברהם לא ידענו)1 ממשל הארי כו׳
pois mesmo no Gan Éden brilha apenas o esplendor da Shechiná e um simples vislumbre da Chochmá superior etc. E a razão disso é explicada em outro lugar (a respeito de Purim, no maamar que começa “Pois Avraham não nos conheceu”), por meio da analogia do leão etc.:
Mesmo no Gan Éden, as almas percebem apenas um esplendor da Shechiná e um vislumbre da Chochmá superior. A razão é explicada num maamar de Purim em Torah Ohr, com a imagem do leão na visão de Yechezkel.
פני אריה אל הימין2 כו׳ וכמו כן הארת ח״ע מוכרח להתלבש במקום היותר נמוך דהיינו עניני הלכות טמא כשר כו׳
“o rosto de um leão à direita” etc.; e, do mesmo modo, o vislumbre da Chochmá superior necessariamente precisa revestir-se no lugar mais baixo, isto é, nas leis do impuro e do apropriado etc.
Na visão de Yechezkel, o rosto do leão está à direita, o lado de Chessed; o maamar citado explica que quanto mais elevado algo é, mais baixo precisa descer. Assim, a Chochmá superior reveste-se precisamente no lugar mais baixo: nas leis sobre o que é impuro e o que é kasher.
ע״ש והוא ג״כ עד״מ הנזכר באגה״ק קרוב לסופו3 ועוד זאת שהרי הדבור כו׳ רק הארה כו׳ משא״כ הטפה נמשך בה גם ממהות הנפש ועצמותה ע״ש.4
Veja ali. E também é semelhante à analogia mencionada em Igueret HaKodesh, perto do fim: “Além disso, a fala” etc. é apenas um vislumbre etc., ao passo que na gota [de sêmen] também é atraído algo da própria essência e do próprio ser da alma; veja ali.
Igueret HaKodesh apresenta uma analogia: a fala transmite apenas um vislumbre da mente da pessoa, mas a semente de um filho carrega a essência da alma do progenitor. Assim também, as leis da Torá carregam a própria sabedoria de D'us, e não apenas seu reflexo.
O parágrafo 5 explica por que as leis da Torá são “óleo derramado”: a própria essência da sabedoria de D'us é atraída para a halachá prática, mais do que em qualquer mundo superior. Como uma semente que carrega a essência do progenitor, a expressão mais baixa carrega o conteúdo mais elevado.
A analogia entre fala e semente aparece em Kuntres Acharon do Tanya, no ensaio que começa “Para entender o que está escrito em Pri Etz Chaim”. Ela explica por que o estudo da halachá alcança a essência da Chochmá, enquanto o conhecimento dos mundos superiores alcança apenas seu vislumbre. O mesmo princípio — o mais elevado desce ao mais baixo — está por trás do “selo invertido” do parágrafo 2.
Marei mekomot
- 1בד״ה כי אברהם לא ידענו · תו״א צג, ג.
- 2פני אריה אל הימין · Ezekiel 1:10
- 3באגה״ק קרוב לסופו · בקו״א ד״ה להבין מ״ש בפע״ח (קנז, א). [כ].
- 4
E veja ainda ali, a seção que começa “No Raaya Mehemna, Parshas Naso”. E este é o significado de “óleo derramado”: a própria essência do óleo é derramada e atraída para baixo.
Igueret HaKodesh contém outra carta sobre o mesmo tema. “Óleo derramado” significa que a própria essência do óleo, e não apenas sua fragrância, é derramada e chega até embaixo.
וזהו מה שלמעלה בא למטה דייקא כנ״ל. וענין שמן תורק שמך הנה נת׳ הפי׳ למעלה דהיינו כמארז״ל כל התורה היא שמותיו של הקב״ה2 כו׳
E assim o que está em cima chega precisamente embaixo, como mencionado acima. Quanto a “teu nome é óleo derramado”, seu significado foi explicado acima: como disseram nossos Sábios, “toda a Torá são os Nomes do Santo, bendito seja Ele” etc.
Este é o princípio já enunciado: o que é mais elevado chega precisamente ao lugar mais baixo. “Teu nome” refere-se à Torá, que os Sábios descrevem como inteiramente composta pelos Nomes de D'us.
ועמ״ש מזה ע״פ ואלה שמות בנ״י3 ובפ׳ יתרו בד״ה משה ידבר4 איך דכל מעשה המצות הן לאתקנא רזא דשמיה כו׳ ע״ש.
E veja o que foi escrito sobre isso a respeito de “E estes são os nomes dos filhos de Israel”, e na Parshá Yitro, no maamar que começa “Moshe falava”, sobre como a realização de todas as mitsvot é “para aperfeiçoar o mistério de Seu Nome” etc.; veja ali.
Dois maamarim em Torah Ohr desenvolvem isso: todas as mitsvot servem “para aperfeiçoar o mistério de Seu Nome”, completando, por assim dizer, o Nome de D'us. Assim, a Torá e as mitsvot são o canal do Nome.
ובזהר פ׳ צו (דל״ד ע״א) פי׳ שמך היינו מל׳ שבה הורק ונמשך השמן דח״ע ע״ש
E no Zohar, Parshá Tzav (34a), “teu nome” é explicado como Malchut, para dentro da qual é derramado e atraído o óleo da Chochmá superior; veja ali.
O Zohar interpreta “teu nome” como Malchut, o reinado de D'us, para dentro do qual é derramado o óleo da Chochmá superior. Nos termos deste maamar, a sabedoria mais elevada flui para o atributo Divino mais baixo.
(ועיין בזהר פ׳ יתרו דפ״ז ע״ב ע״פ טוב שם משמן טוב5 ובזהר ח״א דצ״ו סע״א) והיינו כמ״ש בזהר פ׳ תרומה (דקמ״ה ע״ב) ירותא דאבא ירתא ברתא6 כו׳
(E veja o Zohar, Parshá Yitro, 87b, sobre “Um bom nome é melhor que óleo bom”, e o Zohar, volume 1, fim de 96a.) E isso corresponde ao que está escrito no Zohar, Parshá Terumah (145b): “A filha herda a herança do pai” etc.
O Zohar também vincula óleo e “nome” por meio do versículo “Um bom nome é melhor que óleo bom”. Sua afirmação de que “a filha herda do pai” significa que Malchut (a filha) recebe diretamente de Chochmá (o pai).
והיינו כנודע מענין בחכמה יסד ארץ7 דייקא משא״כ כונן שמים בתבונה וכמ״ש מזה בפ׳ בראשית בד״ה
E isso é como se sabe a respeito de “com sabedoria Ele fundou a terra”, especificamente; diferentemente de “estabeleceu os céus com entendimento”; e veja o que foi escrito sobre isso na Parshá Bereishit, no maamar que começa
O versículo diz que a terra, que representa Malchut, foi fundada especificamente “com sabedoria” (Chochmá), enquanto os céus foram estabelecidos “com entendimento” (Biná). Chochmá chega diretamente ao nível mais baixo.
“Para entender a razão” etc., e sobre “E [D'us] formou o homem [do] pó” etc. Ora, o nível de Malchut é chamado “a boca: chamamos a Torá Oral de” etc.
As referências são a maamarim de Torah Ohr, Bereishit, incluindo um sobre a formação do homem a partir do pó. O Tikkunei Zohar diz que Malchut é a “boca” e é chamada Torá Oral, razão pela qual as leis da Torá Oral recebem Chochmá superior.
וע׳ מ״ש לקמן בד״ה שחורה אני בענין ערבים עלי דברי סופרים כו׳ שהן למעלה מבחי׳ ספר הוא בחי׳ תשב״כ כו׳
E veja o que foi escrito mais adiante, no maamar que começa “Sou negra”, sobre “As palavras dos Sábios são mais queridas para Mim” etc., que elas estão acima do nível de “livro”, que é o nível da Torá Escrita etc.;
Um maamar posterior desta parashá explica por que as palavras dos Sábios são “mais queridas” que a Torá Escrita: elas derivam de um nível acima do “livro”. A Torá Oral, embora pareça inferior, tem uma raiz superior.
veja ali. E veja Igueret HaKodesh, a seção que começa “Ele e Sua força vital”, a respeito do que está escrito ali: “mas é como um selo invertido, e o começo está encaixado em seu fim” etc.
Igueret HaKodesh explica o mesmo ponto com o “selo invertido” e com a expressão de Sefer Yetzirah de que o começo está encaixado no fim. O nível mais baixo está ligado ao mais elevado.
וזהו שמן תורק שמך. שבההלכות תשבע״פ נמשך מבחי׳ עצמיות השמן שהוא גבוה מאד נעלה היינו כמ״ש כשמן הטוב14 על הראש יורד על הזקן זקן אהרן כו׳
E este é o significado de “teu nome é óleo derramado”: nas leis da Torá Oral é atraído o nível da essência do óleo, que é extraordinariamente elevado; isto é, como está escrito: “Como óleo bom sobre a cabeça, que desce pela barba, pela barba de Aharon” etc.
Este é o sentido pleno de “teu nome é óleo derramado”: as leis da Torá Oral recebem da essência do óleo, de uma fonte muito elevada. O Salmo descreve esse óleo descendo da cabeça de Aharon para sua barba.
וכמ״ש (לקמן) בד״ה בהעלותך1516 את הנרות שבחי׳ דיקנא דכהנא רבא בחי׳ שערות אלו הלכות כו׳ וע״ז יש בחי׳ שמן מלמעלה כו׳
E como foi escrito (mais adiante) no maamar que começa “Quando acenderes as lâmpadas”: o nível da barba do Sumo Sacerdote é o nível dos cabelos, que são as leis etc.; e sobre isso há o nível do óleo vindo do alto etc.;
Um maamar em Beha'aloscha explica que os cabelos da barba do Sumo Sacerdote representam as leis da Torá. O óleo do alto, a Chochmá superior, desce sobre essas leis.
ע״ש ומ״ש ב״פ הזקן זקן17 י״ל עפמ״ש לקמן בד״ה שחורה אני שההלכות שבמצות עשה שהן מבחי׳ חסד נמשכים מבחי׳ דיקנא עילאה
veja ali. E quanto à expressão repetir “a barba”, “a barba, a barba [de Aharon]”, pode-se dizer que está de acordo com o que foi escrito mais adiante, no maamar que começa “Sou negra”: as leis dos mandamentos positivos, que provêm do nível de Chessed, são atraídas do nível da barba superior,
O Salmo diz “a barba” duas vezes, e um maamar posterior desta parashá explica por quê. As leis dos mandamentos positivos provêm de Chessed, da “barba superior”.
שהוא בחי׳ לבנונית כתלג חיוור ועמר נקא18 וההלכות שבמצות ל״ת נמשכים מבחי׳ קווצותיו תלתלים שחורות19 וכו׳ עיין באדרת נשא (דקל״ב תחלת ע״א).20
que é o nível da brancura, “branco como a neve” e “como lã pura”; e as leis dos mandamentos negativos são atraídas do nível de “seus cachos são ondulados, negros” etc.; veja a Idra de Nasso (início de 132a).
Essa barba superior é descrita por imagens de brancura, como a neve e a lã pura, da visão de Daniel. As leis das proibições provêm dos “cachos negros” de Shir HaShirim, o lado da contenção; a Idra do Zohar em Nasso descreve ambos.
וזהו ענין לריח שמניך טובים21 כי בחי׳ כשמן הטוב כו׳ יורד על הזקן כו׳ שרשו גבוה מאד נעלה.
E este é o significado de “pois teus óleos são bons para a fragrância”: o nível de “como óleo bom” etc., “que desce pela barba” etc., tem uma raiz extraordinariamente elevada.
Agora se entende “pois teus óleos são bons para a fragrância”. O óleo que desce pela barba, isto é, para as leis, tem uma raiz extremamente elevada.
ולכן נק׳ שמן המריח וזהו ענין תליסר נהרוותא דמשחא אפרסמון דכיין22 (בגמרא תענית דכ״ ה ע״א) שהוא בחי׳ גבוה יותר מסתם שמן וכמ״ש במ״א בפ׳ תרומה סד״ה
Por isso é chamado “óleo fragrante”, e este é o significado de “treze rios de óleo de bálsamo puro” (na Guemará, Taanit 25a), que corresponde a um nível superior ao do óleo comum; e como foi escrito em outro lugar, na Parshá Terumah, no fim do maamar que começa
Por ter uma raiz tão elevada, é chamado “óleo fragrante”. Os “treze rios de óleo de bálsamo puro” prometidos aos justos pelo Talmud referem-se a esse nível, superior ao óleo comum.
הנה כתיב23 ועמך כולם צדיקים כו׳ ועיין בזהר ר״פ אמור (דפ״ח ע״ב) וע׳ בזהר ר״פ תרומה (דקכ״ז ע״ב).
“Ora, está escrito: ‘E teu povo é todo justo’” etc. E veja o Zohar, início de Emor (88b), e o Zohar, início de Terumah (127b).
As referências são a um maamar de Torah Ohr, Terumah, e a duas passagens do Zohar. Elas tratam mais extensamente do óleo fragrante superior.
וע׳ מענין לריח שמניך בזהר פ׳ אחר (דנ״ח סע״ב) ובפ׳ בהעלותך (דק״נ ע״א) ובפ׳ צו (דל״ה סע״א) ור״פ וירא (דצ״ו א׳) ובהרמ״ז שם:24
E veja sobre “pois teus óleos são bons para a fragrância” no Zohar, Parshá Acharei (fim de 58b), Parshá Beha'aloscha (150a), Parshá Tzav (fim de 35a), início da Parshá Vayera (96a), e no Ramaz ali:
São enumeradas outras passagens do Zohar que tratam de “pois teus óleos são bons para a fragrância”, juntamente com o Ramaz, comentário ao Zohar. São referências para os leitores que desejam estudar o tema nas fontes.
O parágrafo 6 mostra que “teu nome é óleo derramado” significa que a Chochmá superior é derramada em Malchut, a Torá Oral, cujas leis são a “barba” sobre a qual desce o óleo de Aharon. Como a raiz desse óleo é tão elevada, ele também é “óleo fragrante”, o nível superior de “pois teus óleos são bons para a fragrância”.
A associação entre a “barba superior” (branca, Chessed) e os “cachos negros” (Guevurá) segue a Idra Rabá em Nasso, na qual as configurações de Arich Anpin e Zeir Anpin são descritas por meio das imagens da visão de Daniel e de Shir HaShirim. O Alter Rebe as relaciona aos mandamentos positivos e às proibições.
Marei mekomot
- 1ד״ה בר״מ פ׳ נשא · והוא באגה״ק (סי׳ כו). [כ].
- 2כל התורה היא שמותיו של הקב״ה · Zohar, Yitro 23:421–24:431
- 3ע״פ ואלה שמות בנ״י · תו״א מט, ד.
- 4בד״ה משה ידבר · תו״א סז, ד.
- 5
- 6ירותא דאבא ירתא ברתא · Zohar, Terumah 31:353–362
- 7בחכמה יסד ארץ · Proverbs 3:19
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- 15וכמ״ש (לקמן) בד״ה בהעלותך · וכ״ה בבוך 1101 תרפו, א גוכתי״ק הצ״צ. וראה לעיל ב, ד.
- 16בד״ה בהעלותך · לעיל שם ל, ג.
- 17ומ״ש ב״פ הזקן זקן · ראה גם יהל אור ע׳ תקה בשם מד״ר פ׳ ויקרא ספ״ג.
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- 19קווצותיו תלתלים שחורות · Song of Songs 5:11
- 20עיין באדרת נשא (דקל״ב תחלת ע״א) · Zohar, Idra Rabba 11:112–13:123
- 21
- 22תליסר נהרוותא דמשחא אפרסמון דכיין · Taanit 25a:14
- 23וכמ״ש במ״א בפ׳ תרומה סד״ה הנה כתיב · תו״א פא, א.
- 24
Noivado e casamento ¶7–8
7עוד יש לומר בפי׳ לריח שמניך כו׳ ושמן תורק כו׳ ע״ד משמעות פי׳ המדרש שיר השירים דמפרש שמן תורק הוא מדרגה גבוה יותר מן לריח שמניך שאינו
Pode-se dizer ainda, ao explicar “por causa do aroma de teus óleos”, etc., e “óleo derramado”, etc., seguindo o sentido simples da explicação do Midrash sobre Shir HaShirim, que explica que “óleo derramado” é um nível mais elevado do que “por causa do aroma de teus óleos”, que é
Uma segunda leitura segue o sentido simples do Midrash sobre Shir HaShirim. Ali, “óleo derramado” é um nível mais elevado do que “o aroma de teus óleos”.
אלא כעין ריח בעלמא מהשמן אבל שמן תורק היינו כאדם שמריק מכלי לכלי1 חבירו שנותן לו השמן בעצמו.
apenas uma espécie de mero aroma do óleo; mas “óleo derramado” é como uma pessoa que despeja de um recipiente no recipiente de seu amigo, dando-lhe o próprio óleo.
O aroma é apenas o cheiro que chega à pessoa a partir do óleo. Despejar óleo no recipiente de um amigo é dar-lhe o próprio óleo.
והוא עפמ״ש במ״א (בד״ה תורה צוה לנו כו׳ בפ׳ הברכה) שבההמשכה מתשב״כ שהיא בחי׳ חתן לתשבע״פ שהיא בחי׳ כלה יש ב׳ בחינות ומדרגות.
E isso está de acordo com o que está escrito em outro lugar (no maamar que começa “Moshe nos ordenou a Torá”, etc., na Parshat VeZot HaBerachá): no fluxo da Torá Escrita, que é o nível do noivo, para a Torá Oral, que é o nível da noiva, há dois níveis e graus.
Um maamar sobre “Moshe nos ordenou a Torá” explica que a Torá Escrita é o “noivo” e a Torá Oral, a “noiva”. O fluxo entre eles tem dois níveis.
הא׳ ע״ד נובלות חכמה שלמעלה תורה2 ונקרא אירוסין שהוא המשכה חיצוניות וזהו ענין לריח שמניך.
O primeiro é à maneira de “os frutos caídos da sabedoria do Alto são a Torá”, e é chamado erusin (noivado), que é um fluxo exterior; e este é o sentido de “por causa do aroma de teus óleos”.
O primeiro nível é como diz o Midrash: a Torá é o “fruto caído” da sabedoria do Alto — algo que cai da árvore, não seu núcleo. Este é o noivado (erusin), uma ligação exterior, e corresponde a “o aroma de teus óleos”.
וכמ״ש בלק״ת בתלים3 ע״פ ויקם עדות ביעקב4 כו׳. וזהו שאינו אלא כעין ריח בעלמא הארת יסוד אבא ולא מהותו ועצמותו ממש.
E como está escrito em Likkutei Torah sobre Tehilim, a respeito de “Ele estabeleceu um testemunho em Yaakov”, etc. Por isso, é apenas uma espécie de mero aroma: um vislumbre do Yessod de Abá, e não seu próprio ser e essência.
Cita-se a Likkutei Torah do Arizal sobre Tehilim. Neste nível, chega apenas um vislumbre do Yessod de Abá (o canal de Chochmá), não sua essência.
אמנם הבחי׳ הב׳ הוא שיומשך מבחי׳ חתן לכלה מבחי׳ פנימיות תשב״כ והוא ענין נשואין ויחוד חתן וכלה ע״ש. וזהו שמן תורק שמך שנמשך עצמיות השמן דח״ע בבחי׳ מל׳ תשבע״פ כו׳:
No entanto, o segundo nível consiste em haver um fluxo do nível do noivo para a noiva, a partir do nível da dimensão interior da Torá Escrita; este é o sentido de nisuin (casamento) e da união do noivo e da noiva; veja ali. E este é o sentido de “teu nome é óleo derramado”: a essência do óleo da Chochmá suprema é conduzida ao nível de Malchut, a Torá Oral, etc.
O segundo nível é o casamento (nisuin), a união plena do noivo e da noiva, proveniente da dimensão interior da Torá Escrita. Este é o sentido de “teu nome é óleo derramado”: a essência da Chochmá suprema chega a Malchut, a Torá Oral.
O parágrafo 7 apresenta uma segunda leitura baseada no Midrash: “aroma” é um fluxo inferior e exterior da Torá Escrita para a Torá Oral (noivado), enquanto “óleo derramado” é o fluxo interior e essencial (casamento).
Noivado e casamento como duas etapas da união de Zeir Anpin e Nukvá são um tema cabalístico: o noivado proporciona um “vislumbre” exterior (do Yessod de Abá), enquanto o casamento proporciona a essência interior. Observe-se que esta leitura inverte o parágrafo 6, no qual o aroma provinha de uma raiz mais elevada; o parágrafo 10 conciliará as duas leituras.
Marei mekomot
- 1
- 2נובלות חכמה שלמעלה תורה · Bereshit Rabbah 17:5
- 3בלקו״ת בתלים · להאריז״ל. ראה לעיל א, ד.
- 4ויקם עדות ביעקב · Psalms 78:5
8והנה מכ״ז נמשך על כן עלמות אהבוך.1 דהיינו בחי׳ בי״ע שמקבלים מבחי׳ מלכות שהיא מקור דבי״ע וכמ״ש בזהר ח״ג
Ora, de tudo isso resulta “por isso, as donzelas (alamot) Te amam”: isto é, o nível de Beriá, Yetsirá e Assiá, que recebem do nível de Malchut, a fonte de Beriá, Yetsirá e Assiá, como está escrito no Zohar, volume 3
Agora é explicado o desfecho do versículo: “por isso, as donzelas Te amam”. O Zohar interpreta alamot (donzelas) como olamot (mundos): os mundos de Beriá, Yetsirá e Assiá, que recebem de Malchut, sua fonte.
(דנ״ח סע״ב) ח״ב קמ״ד ב׳ (וע׳ עוד ח״א צ״ח א׳ ח״ג נ״ט א׳ ע״א ב׳)
(final de 58b), volume 2, 144b (e veja também volume 1, 98a; volume 3, 59a, 71b).
Estas são as passagens do Zohar que interpretam alamot como os mundos. São indicadas para estudo adicional.
וכן מבחי׳ מל׳ דאצי׳ נמשך להיות גילוי למטה בכל א׳ מישראל ע״י שמקבלים עליהם עול מלכות שמים
E, do mesmo modo, do nível de Malchut de Atsilut é conduzida uma revelação abaixo, em cada membro do povo de Israel, por meio de aceitarem sobre si o jugo da realeza dos Céus.
Da mesma forma, de Malchut de Atsilut chega uma revelação a cada judeu. Ela vem por meio da aceitação do jugo da realeza dos Céus, que é receber Malchut.
ואזי בעסק התורה נמשך בו ג״כ מבחי׳ לריח שמניך כו׳ ושמן תורק כו׳ והיינו ג״כ ע״ד ב׳ בחי׳ הנ״ל דאירוסין ונישואין
Então, ao estudar a Torá, também se conduz a ele algo do nível de “por causa do aroma de teus óleos”, etc., e “óleo derramado”, etc.; isso também segue os dois níveis mencionados acima, noivado e casamento;
Depois de aceitar o jugo, a pessoa que estuda Torá recebe tanto “aroma” quanto “óleo derramado”. São os dois níveis, noivado e casamento, descritos no parágrafo 7.
והיינו להיות נקלט ונתפס במוח ובלב אור ה׳ דאורייתא וקב״ה כולא חד2 כו׳ ושתכנס ההתבוננות בקרב איש ולב עמוק3 כו׳
isto é, para que a luz de D'us seja assimilada e apreendida na mente e no coração, [pois] “a Torá e o Santo, bendito seja Ele, são inteiramente um”, etc., e para que a contemplação penetre “no íntimo do homem e num coração profundo”, etc.
O objetivo é que a luz de D'us seja apreendida tanto na mente quanto no coração, pois a Torá e D'us são um. A contemplação deve penetrar nas profundezas interiores da pessoa, no “coração profundo” do Salmo.
וכמארז״ל המאור שבה מחזירו למוטב4 וכמ״ש סד״ה בהעלותך5 בענין כשמן הטוב כו׳ שיורד ע״פ מדותיו6 כו׳ ושמן ימינו יקרא78 כו׳ ע״ש.910
E, como disseram nossos Sábios: “a luz que há nela o faz voltar ao bem”; e como está escrito no final do maamar que começa “Quando acenderes”, sobre “como o óleo bom”, etc., que desce “segundo suas medidas”, etc., e “o óleo de sua mão direita clama”, etc.; veja ali.
Os Sábios disseram que a luz contida na Torá faz a pessoa voltar ao bem. O maamar sobre Behaalotecha explica que o óleo desce “segundo suas medidas”, alcançando as emoções de cada pessoa, e o provérbio “o óleo de sua mão direita clama” fala de seu efeito.
O parágrafo 8 extrai a conclusão: as “donzelas” são os mundos inferiores e cada judeu que recebe de Malchut ao aceitar o jugo dos Céus; por meio do estudo da Torá, recebem tanto o “aroma” quanto o “óleo derramado”, até que a luz de D'us penetre na mente e no coração.
A interpretação do Zohar de alamot como olamot vincula a aceitação individual da realeza de D'us à estrutura cósmica: Malchut de Atsilut é a fonte dos mundos inferiores, e a pessoa que aceita seu jugo torna-se receptora como eles. “A luz que há nela o faz voltar ao bem” é a afirmação clássica de que o próprio estudo da Torá transforma a pessoa.
Marei mekomot
- 1על כן עלמות אהבוך · Song of Songs 1:3
- 2דאורייתא וקוב״ה כולא חד · ראה הערת כ״ק אדמו״ר בס׳ המאמרים ה׳ש״ת ע׳ 66.
- 3בקרב איש ולב עמוק · Psalms 64:7
- 4המאור שבה מחזירו למוטב · פתיחתא לאיכה רבתי בתחילתה. וראה תו״א צא, א. ריש פיתחא דאיכ״ר כגי׳ הירושלמי [פ״א, ה״ז] בחגיגה בכת״י, יעו״ש. [כ].
- 5סד״ה בהעלותך · לעיל בהעלותך ל, ד.
- 6שיורד ע״פ מדותיו · Psalms 133:2
- 7ושמן ימינו יקרא · Proverbs 26:16
- 8ושמן ימינו יקרא · Proverbs 27:16
- 9
- 10
Por que o óleo alcança o coração selado ¶9
9וזהו דמתחלה אמר כי טובים דודיך מיין1 יין הוא ההתבוננות בעלמא דאתגלייא שמזה ההתבוננות נמשך להיות בחי׳ כלה כו׳ כנ״ל.
É por isso que primeiro se diz: “pois teu amor é melhor do que o vinho”: o vinho é a contemplação do mundo revelado, e dessa contemplação resulta o nível da noiva, etc., como mencionado acima.
O maamar agora relaciona os dois versículos. O versículo anterior, “teu amor é melhor do que o vinho”, descreve o caminho da contemplação, pelo qual a pessoa se torna uma “noiva” que recebe a luz de D'us.
אך כדי שיהי׳ אף בחי׳ עלמות אהבוך דהיינו אפילו מי שלבו אטום ולא נתפעל מהתבוננות הנ״ל.
Mas, para que exista também o nível de “as donzelas Te amam”, isto é, até mesmo alguém cujo coração está fechado e que não foi despertado pela contemplação mencionada acima,
O versículo posterior aborda uma pessoa diferente: a “donzela” cujo coração está fechado e que não foi tocada pela contemplação. A questão é como essa pessoa também pode chegar a amar D'us.
הנה הוא ע״י עסק התורה שהיא בחי׳ שמן כנ״ל שהיא בחי׳ אשר אנכי מצוך כו׳
isso ocorre por meio do estudo da Torá, que é o nível do óleo, como mencionado acima, o nível de “que Eu (Anochi) te ordeno”, etc.,
A resposta é o estudo da Torá, o “óleo”. A Torá é a palavra “Eu” (Anochi), o próprio Ser de D'us, na expressão “que Eu te ordeno”.
דלית מחשבה תפיסא ביה כלל2 ולפי שהוא מבחי׳ עליונה מאד ע״כ יוכל לעשות חקיקה וכלי גם במי שלבו אטום כו׳
que nenhum pensamento pode apreender de modo algum; e, por provir de um nível muito elevado, pode, por isso, produzir uma gravação e um recipiente até mesmo em alguém cujo coração está fechado, etc.
Esse nível está além de todo pensamento, como diz o Tikkunei Zohar. Precisamente por ser tão elevado, pode gravar-se e formar um “recipiente” até mesmo num coração que nada mais consegue mover.
וכענין משנ״ת בפ׳ בחקתי (ד״ה מבואר בע״ח)3 שעי״ז נעשה חקיקה מבפנים בנה״ב כו׳ וזהו ענין באר חפרוה שרים4 כו׳
E [isso] é semelhante ao que é explicado na Parshat Bechukotai (no maamar que começa “Está explicado no Etz Chaim”): por meio disso, é feita uma gravação interior na alma animal, etc.; e este é o sentido de “um poço que os príncipes cavaram”, etc.;
Um maamar em Bechukotai explica que o estudo da Torá grava-se até mesmo no interior da alma animal. O versículo “um poço que os príncipes cavaram” descreve essa escavação até uma fonte oculta de água.
veja ali. E [isso] é semelhante ao que é explicado ainda em outro lugar (no maamar que começa “Eu te desposarei comigo”) a respeito de “meu coração e minha carne cantam ao D'us vivo”, pois
Um maamar sobre “Eu te desposarei comigo” apresenta um ponto semelhante com o versículo “meu coração e minha carne cantam ao D'us vivo”. A explicação continua nas partes seguintes.
הנה הלב והבשר לפי שהם כלים גשמיים כו׳ אינם נכספים לחצרות ה׳ שהוא מקור וחיי הנפש וכענין בחי׳ ההתבוננות בעלמא דאתגלייא הנק׳ יין כנ״ל
o coração e a carne, por serem recipientes físicos, etc., não anseiam pelos “átrios de D'us”, que são a fonte e a vida da alma, assim como o nível da contemplação do mundo revelado, chamado vinho, como mencionado acima,
O coração e a carne são físicos e não anseiam naturalmente pelos “átrios de D'us”, a fonte espiritual da vida da alma. A contemplação do mundo revelado, o “vinho”, pertence a esse nível e, por isso, talvez não os comova.
כי אם כאשר ירננו אל אל חי בעצמו ובכבודו כו׳ שכל מה שהיא בחי׳ עליונה יותר יכולה היא לירד ולהתפשט למטה יותר ועי״ז באה ונגעה עד הלב ובשר כו׳ ע״ש באריכות.
mas somente quando cantam ao D'us vivo, Ele próprio e em Sua glória, etc.; pois, quanto mais elevado é um nível, mais pode descer e estender-se abaixo, e assim chega e toca o coração e a carne, etc.; veja ali extensamente.
Eles só são movidos pelo próprio “D'us vivo”. O princípio é que, quanto mais elevado é um nível, mais baixo pode alcançar; assim, o nível mais elevado toca até mesmo o coração e a carne físicos.
ועד״ז הוא כאן דלפי שבחי׳ ריח שמניך ושמן תורק הוא המשכה מבחי׳ עליונה הרבה יותר ממדרגת היין ושמן צף ע״ג יין7 כו׳.
E assim também aqui: como o nível de “o aroma de teus óleos” e “óleo derramado” é um fluxo de um nível muito mais elevado do que o nível do vinho, e o óleo flutua sobre o vinho, etc.
O mesmo se aplica aqui: “aroma” e “óleo derramado” provêm de um nível muito acima do vinho. O fato físico de o óleo flutuar sobre o vinho ilustra isso.
ובגמ׳ פ״ק דשבת (ד״ה ע״ב) שנחלקו רבנן ורבי יוחנן בן נורי אי הוה חיבור זה לזה
E na Guemará, no primeiro capítulo de Shabat (5b), os Sábios e Rabi Yochanan ben Nuri discordam sobre se são considerados unidos um ao outro,
O Talmud registra uma divergência sobre se o óleo que flutua sobre o vinho é considerado “unido” a ele para fins de pureza ritual. A divergência mostra que o óleo permanece separado e acima do vinho.
והיינו מפני שהשמן הוא גבוה מאד בבחי׳ חכמה עילאה דכולא כמ״ש בזהר פ׳ צו (דל״ד ע״א)89 ולכן הוא לעיל׳ לעילא מבחינת היין כו׳
e isso porque o óleo é muito elevado, no nível de “a Chochmá suprema de tudo”, como está escrito no Zohar, Parshat Tzav (34a); por isso, está muito, muito acima do nível do vinho, etc.
A razão é que o óleo corresponde à “Chochmá suprema de tudo”, como diz o Zohar. Portanto, ele está muito acima do vinho, que corresponde à Biná.
ולכן יוכל להפעיל גם במי שלבו אטום שיחוק לבו ע״י דברי תורה שיהי׳ גם עלמות אהבוך כו׳ וכענין ועברתי בארץ מצרים10 אני ולא מלאך כו׳:
E, por isso, pode produzir efeito até mesmo em alguém cujo coração está fechado, gravando-lhe o coração por meio das palavras da Torá, para que também “as donzelas Te amem”, etc.; como no caso de “Passarei pela terra do Egito: Eu, e não um anjo”, etc.
Por isso, a Torá pode afetar até mesmo um coração fechado e gravar-se nele, para que também as “donzelas” amem D'us. É como no Êxodo, quando o próprio D'us, “Eu, e não um anjo”, desceu ao lugar mais baixo.
O parágrafo 9 responde à questão do maamar: a contemplação (“vinho”) comove apenas quem é capaz de ser comovido, mas a Torá (“óleo”) provém de um nível tão elevado — a Chochmá suprema e o próprio “Eu” de D'us — que pode alcançar e gravar até mesmo um coração fechado.
O princípio de que “quanto mais elevado é um nível, mais baixo ele alcança” percorre o ensinamento de Chabad: é a essência, e não um vislumbre, que penetra o físico. A comparação com o Êxodo, quando o próprio D'us, e não um anjo, veio ao Egito, aplica o mesmo princípio.
Marei mekomot
- 1כי טובים דודיך מיין · Song of Songs 1:2
- 2דלית מחשבה תפיסא ביה כלל · Tikkunei Zohar 17a:10–12
- 3בפ׳ בחקתי (ד״ה מבואר בע״ח) · לעיל בחקותי מז, ג.
- 4באר חפרוה שרים · Numbers 21:18
- 5בד״ה וארשתיך לי · Numbers 8:2
- 6לבי בושרי ירננו אל אל חי · Psalms 84:3
- 7ושמן צף ע״ג יין ובגמרא פ״ק דשבת · נתבאר בארוכה באמרי בינה שער הק״ש פ׳ נד ובמ״מ לשם.
- 8כמ״ש בזהר פ׳ צו דל״ד ע״א · מובא לעיל בפ׳ בהעלותך לב, ג ”דשמן שריא בגו חכמה עילאה דכולא”.
- 9חכמה עילאה דכולא כמ״ש בזהר פ׳ צו (דל״ד ע״א) · Zohar, Tzav 29:187–30:193
- 10ועברתי בארץ מצרים · Exodus 12:12
Escritura, Mishná e Talmud ¶10
10ב עוי״ל בפי׳ לריח שמניך כו׳ ושמן תורק כו׳ ע״ד המדרש הנ״ל שזהו ענין לעולם ישלש אדם תלמודו1 שליש במקרא שליש במשנה ושליש בתלמוד.
(2) Pode-se dizer ainda, ao explicar “por causa do aroma de teus óleos”, etc., e “óleo derramado”, etc., seguindo o Midrash mencionado acima, que isso corresponde ao ensinamento: “A pessoa deve sempre dividir seu estudo em três: um terço em Escritura, um terço em Mishná e um terço em Talmud”.
Esta parte inicia uma segunda seção do maamar, com outra interpretação do versículo. Ela se liga à instrução talmúdica de dividir o tempo de estudo em três partes: Escritura, Mishná e Talmud.
והנה בלימוד המצות משנה ותלמוד משיג ותופס המהות חכמתו ית׳2 מאחר שנתלבשה בדברים גשמיים שהן רצונו וחכמתו ית׳ ממש.
Ora, ao estudar as mitsvot na Mishná e no Talmud, a pessoa compreende e apreende o próprio ser da sabedoria de D'us, bendito seja, pois ela se revestiu de assuntos físicos, que são verdadeiramente Sua vontade e sabedoria, bendito seja.
Quando se estudam as leis das mitsvot na Mishná e no Talmud, compreende-se de fato a sabedoria de D'us, pois ela se revestiu de assuntos físicos que podem ser apreendidos. Essas leis são a própria vontade e sabedoria de D'us.
וזהו ענין שמן תורק כו׳ משא״כ בסיפורי מעשיות שבתנ״ך שאינו מושג כלל חכמתו ית׳ המלובשת בתיבות וצירופי אותיות.
Este é o sentido de “óleo derramado”, etc. Diferentemente disso, nas narrativas de Tanach, a sabedoria de D'us, bendito seja, revestida nas palavras e nas combinações de letras, não é compreendida de modo algum.
Essa apreensão da essência é “óleo derramado”. As narrativas da Bíblia são diferentes: a sabedoria divina revestida em suas palavras e letras não pode ser compreendida.
וכמ״ש בזהר בהעלותך (דקנ״ב ע״א) שפשטיות המובן מן הסיפור מעשיות שבתורה נקרא לבושא דאורייתא וביאר הרמ״ז שם
E como está escrito no Zohar, Behaalotecha (152a), que o sentido simples compreendido das narrativas da Torá é chamado de “vestimenta da Torá”; e o Ramaz explicou ali
O Zohar diz que a narrativa simples da Torá é apenas sua “vestimenta”. O Ramaz, comentarista do Zohar, dá um exemplo, explicado na parte seguinte.
כמו עד״מ פ׳ ואלה כו׳ בארץ אדום3 כו׳ שודאי מעשה היה כך היה ואין יוצא מידי פשוטו4 אבל אין כוונת ה׳ בו בעצם
que, por exemplo, [na] seção “E estes [são os reis]... na terra de Edom”, etc., o acontecimento certamente ocorreu assim, e [o versículo] não se afasta de seu sentido simples; porém, a intenção de D'us ao incluí-lo não é [o acontecimento] em si;
A lista dos reis de Edom em Bereshit registra acontecimentos que realmente ocorreram, e o versículo mantém seu sentido simples. Mas a verdadeira intenção de D'us ao incluí-la não é a história em si.
אבל בה נגוזו סודות עולם התהו כו׳ ע״ש ובזהר שם (דקמ״ט ע״ב)5 שהאריך בזה. ובפרדס שער כ״ז פ״א6 האריך בביאור מאמר הזהר הנ״ל וכתב וז״ל.
em vez disso, nela estão ocultos os segredos do Mundo de Tohu, etc.; veja ali; e o Zohar ali (149b) discorre longamente sobre isso. E no Pardes, Portão 27, capítulo 1, há uma extensa explicação da afirmação acima do Zohar, e está escrito o seguinte:
Segundo os cabalistas, naquela lista estão ocultos os segredos do Mundo de Tohu, o “caos” que precedeu os mundos ordenados. O Pardes do Rabi Moshe Cordovero explica longamente a afirmação do Zohar e é citado em seguida.
אבל כאשר יבוא האדם ללמוד בתורה צריך שיהי׳ כוונתו שהוא לומד הענין ההוא במה שהם דברים אלהיים שנעלם ממנו עוצם פנימיותם וכו׳ ועם היות שהוא לא ישכיל בה
“Mas, quando uma pessoa vem estudar a Torá, sua intenção deve ser estudar aquele assunto como palavras divinas, cuja imensa interioridade lhe está oculta, etc.; e, mesmo que não o compreenda
O Pardes diz que quem estuda a Torá deve ter a intenção de estar aprendendo palavras divinas, cujas profundezas lhe estão ocultas. Isso vale mesmo que compreenda apenas a superfície.
כי אם פשטיות הסיפור ואין צריך לומר זה אלא אפי׳ מי שלא יבין כלל כו׳ גם יש לו שכר טוב עכ״ל
senão o sentido simples da narrativa — e nem seria preciso dizer isto, mas até mesmo quem não compreende absolutamente nada, etc., também recebe uma boa recompensa.” Fim da citação.
A citação conclui que até mesmo quem compreende apenas a narrativa simples, e até quem não compreende nada, recebe uma boa recompensa. A leitura das palavras da Torá tem valor por si mesma.
ולכן האותיות התורה ופשטיות הסיפור נק׳ ריח שמניך כי עם היות שאינו מובן ומושג כלל פנימיות חכמתו ית׳ הגנוזה ומלובשת בסיפור מעשה ואותיות ההם
Por isso, as letras da Torá e o sentido simples da narrativa são chamados de “o aroma de teus óleos”: pois, embora a interioridade da sabedoria de D'us, bendito seja, oculta e revestida naquela narrativa e naquelas letras, não seja compreendida nem apreendida de modo algum
É por isso que as letras e as narrativas simples da Torá são chamadas de “o aroma de teus óleos”. A sabedoria oculta nelas não é compreendida.
(משא״כ בהשכלת פשט הדינים והמצות כמו שבאו בביאור המשנה והגמ׳ שגם הפשטיות המובן נק׳ גופי תורה ולא לבושא לבד ע״ש בזהר ובפרדס)
(diferentemente da compreensão do sentido simples das leis e das mitsvot tal como são explicadas na Mishná e na Guemará, onde até mesmo o sentido simples compreendido é chamado de “corpos da Torá”, e não apenas uma vestimenta; veja ali no Zohar e no Pardes),
O parêntese contrasta as leis, cujo sentido simples é chamado de “corpos” da Torá, e não apenas de vestimenta. No caso das leis, aquilo que se compreende é a própria substância.
עכ״ז האותיות ופשטיות הסיפור הן הן ריח שמניך שבהם ועל ידם ממשיך הקורא במקרא ריח והארה מבחי׳ שמן משחת קדש7
ainda assim, as letras e o sentido simples da narrativa são eles próprios “o aroma de teus óleos”, pois neles e por meio deles quem lê Escritura atrai um aroma e um vislumbre do nível do “óleo sagrado da unção”,
Mesmo assim, as letras e as narrativas são “o aroma de teus óleos”: ao lê-las, a pessoa atrai um aroma e um vislumbre do “óleo sagrado da unção”. A fonte elevada chega até ela, embora não de forma compreendida.
וכמו עד״מ שמריחים ריח הטוב אע״פ שאינו טועם אותו בפיו כלל ואע״פ שהוא רחוק ממנו כו׳
assim como, por exemplo, sente-se um bom aroma, embora não se prove nada dele com a boca e embora se esteja longe dele, etc.
A analogia é o olfato: pode-se apreciar um aroma sem prová-lo e até à distância. Da mesma forma, quem lê Escritura recebe algo da sabedoria divina sem apreendê-la.
ואדרבה הריח הזה נמשך ממקום עליון ביותר שהוא בחי׳ שמן המריח שלמעלה מבחי׳ שמן סתם ח״ע כו׳
Pelo contrário, este aroma provém de um lugar extremamente elevado, que é o nível do óleo aromático, acima do nível do óleo comum, a Chochmá suprema, etc.
Pelo contrário, o aroma provém de um lugar mais elevado do que o óleo comum, que é a Chochmá suprema. Ele vem do “óleo aromático”, um nível acima dela.
ולפי שהוא גבוה יותר במעלה לא יכול לבא בהתגלות בבחי׳ קירוב בבחי׳ טעם כענין שמן תורק כו׳
E, por ser mais elevado em grau, não pode vir a ser revelado de maneira próxima, na forma de sabor, como no caso de “óleo derramado”, etc.,
Por ser tão elevado, não pode ser revelado de perto, como “sabor”, da maneira como as leis são apreendidas. Esse tipo de proximidade pertence a “óleo derramado”.
אלא בבחי׳ ריח לבד כו׳ (וכמ״ש בביאור ע״פ אלה מסעי בנ״י בענין ירדן יריחו) וז״ש בזהר בהעלותך (דקמ״ט ע״ב)
mas somente na forma de aroma, etc. (como está escrito na explicação sobre “Estas são as jornadas dos filhos de Israel”, a respeito de “o Jordão de Jericó”). E é isso que se diz no Zohar, Behaalotecha (149b):
Só pode alcançar a pessoa na forma de aroma. Um maamar sobre “Estas são as jornadas” relaciona isso a Jericó (Yericho), cujo nome se assemelha a rei’ach, aroma; em seguida, cita-se o Zohar.
דההוא מלה דההוא ספור לאו לאחזאה על גרמיה בלבד קא אתי אלא לאחזאה על ההוא כללא קאתי8 כו׳ ע״ש.
“Aquela palavra daquela narrativa não vem para indicar apenas a si mesma, mas vem para indicar aquele princípio geral”, etc.; veja ali.
O Zohar diz que cada palavra de uma narrativa da Torá não vem apenas para relatar o acontecimento em si, mas para apontar para um princípio mais amplo. A narrativa é um sinal de algo mais elevado do que ela própria.
ואעפ״כ יש ג״כ מעלה יתירה ועצומה בבחי׳ שמן תורק שהוא המשכת עצמיות ח״ע ולא ריח והארה לבד כו׳ ושניהם כאחד טובים.9
Ainda assim, há também uma vantagem adicional e imensa no nível de “óleo derramado”, que é a condução da essência da Chochmá suprema, e não apenas de um aroma e um vislumbre, etc.; e ambos são bons.
Ainda assim, “óleo derramado”, as leis, tem sua própria grande vantagem: conduz a essência da Chochmá suprema, e não apenas seu aroma. Cada um tem sua vantagem, e ambos são bons.
והנה לימוד הזהר וכהאריז״ל10 הוא בכלל שליש במקרא. וכמ״ש במ״א בפי׳ הזוהר דבראשית (דכ״ז ע״ב) הנזכר למעלה הטעם לזה.
Ora, o estudo do Zohar e do Arizal está incluído em “um terço em Escritura”. E a razão disso está escrita em outro lugar, na explicação do Zohar sobre Bereshit (27b) mencionado acima.
Surge agora uma questão: em qual dos três terços se enquadra o estudo do Zohar e dos escritos do Arizal? O Alter Rebe diz que pertence a “um terço em Escritura”, como explica em sua análise da passagem do Zohar citada no parágrafo 5.
וקיצור הענין דהרי מדרש הזהר וכן מדרש רבה ושאר המדרשות הן פי׳ המקרא ופירש״י בפ״ק דברכות (די״א ע״ב) שמדרש הוא קרוב למקרא11 כו׳ ע״ש
Em resumo: o Midrash do Zohar, assim como o Midrash Rabbá e os demais Midrashim, são comentários da Escritura; e Rashi explicou no primeiro capítulo de Berachot (11b) que o Midrash é próximo da Escritura, etc.; veja ali.
Em resumo, o Zohar, assim como o Midrash Rabbá e os outros Midrashim, é um comentário da Escritura. Rashi observa que o Midrash é próximo da Escritura.
ואף שבהלכות ת״ת12 מבואר דמדרש תורה שהוא ספרא וספרי וכה״ג הן בכלל שליש במשנה היינו עכ״פ מפני שהן פי׳ דיני וגופי התורה כמו המשנה ממש.
E embora esteja explicado em Hilchot Talmud Torá que o Midrash da Torá — isto é, Sifra, Sifrei e obras semelhantes — está incluído em “um terço em Mishná”, isso se deve, pelo menos, ao fato de explicarem as leis e os corpos da Torá, assim como a própria Mishná.
As próprias Leis do Estudo da Torá do Alter Rebe classificam o Midrash haláchico, como Sifra e Sifrei, em “Mishná”. Isso se deve ao fato de explicarem as leis, como a própria Mishná.
אבל בלימוד סודות הזהר אין השגה אפילו לגדולי החכמים רק ידיעת המציאות מההשתלשלות ולא השגת המהות כלל וה״ז כעין לימוד המקר׳
Mas, no estudo dos segredos do Zohar, não há apreensão nem mesmo para os maiores sábios: há apenas conhecimento da existência da cadeia descendente dos mundos, sem apreensão alguma da essência; e isso é semelhante ao estudo da Escritura,
Os segredos do Zohar são diferentes: até os maiores sábios só podem saber que os níveis da cadeia dos mundos existem, não o que são em essência. Isso é semelhante à leitura da Escritura.
שהוא קורא בשמותיו של הקב״ה אע״פ שאינו משיג כלל עצמיות הגנוז בהן כנ״ל וכעין זה הוא בלימוד הזהר וע״ח.13
em que se leem os Nomes do Santo, bendito seja Ele, embora não se apreenda de modo algum a essência oculta neles, como mencionado acima; e o estudo do Zohar e de Etz Chaim é semelhante a isso.
Quem lê Escritura lê os Nomes de D'us sem apreender a essência oculta neles. O estudo do Zohar e de Etz Chaim é semelhante.
ולכן הוא בכלל שליש במקרא (ומתורץ בזה מ״ש הר״ן14 ספ״ק דע״ז שהרי המשנה חמורה מן המקרא כו׳ ולמה צריך שליש היום למקרא)
Por isso, ele está incluído em “um terço em Escritura”. (E isso resolve o que o Ran escreve no final do primeiro capítulo de Avodá Zará: “pois a Mishná é mais importante do que a Escritura”, etc.; “por que é necessário dedicar um terço do dia à Escritura?”)
Assim, a Cabalá é contada como “Escritura”. Isso também responde à pergunta do Ran: se a Mishná é mais importante, por que dedicar um terço inteiro do dia à Escritura? Porque ela contém aquilo que a Mishná não contém: o “aroma” proveniente de uma fonte mais elevada.
ולכן ג״ז נקרא לריח שמניך שידיעת המציאות היא כמו ריח בעלמא לגבי השגת מהות חכמתו ית׳ שבמשנה ותלמוד.
Por isso, também isto é chamado de “por causa do aroma de teus óleos”, pois o conhecimento da existência é como mero aroma em comparação com a apreensão da essência da sabedoria de D'us, bendito seja, que está na Mishná e no Talmud.
Saber que os níveis superiores existem, sem apreender sua essência, é como um mero aroma. Por isso, esse estudo também é chamado de “o aroma de teus óleos”.
וע״ד שנתבאר באגה״ק קרוב לסופו15 שבלימוד סדר ההשתלשלות אף אם השיג16 המציאות לא עדיף מצד עצמו כלימוד המצות שמשיג ותופס המהות כו׳
E [isso é] conforme o que está explicado em Igueret HaKodesh, perto do final, que, no estudo da ordem da cadeia descendente, mesmo que se tenha apreendido a existência, isso não é, por si só, superior ao estudo das mitsvot, no qual se compreende e apreende a essência, etc.,
O Tanya apresenta uma ideia semelhante: conhecer a ordem dos mundos não é, por si só, superior ao estudo das leis, no qual se apreende a essência. Seu valor está em outro aspecto, como diz a parte seguinte.
אלא מצד שידיעת המציאות הוא ג״כ מצוה רבה17 ונשאה ואדרבה עולה על כולנה כמ״ש וידעת היום18 דע את אלקי אביך19 כו׳ ומביאה ללב שלם.
mas sim porque o conhecimento da existência também é uma mitsvá grandiosa e sublime — na verdade, superior a todas as outras — como está escrito: “Conhece hoje” e “Conhece o D'us de teu pai”, etc.; e ele conduz a um coração íntegro.
Saber que D'us existe e como Ele se relaciona com os mundos é, por si só, uma grande mitsvá, até mesmo a maior de todas, como em “Conhece hoje” e “Conhece o D'us de teu pai”. Isso conduz a servir a D'us “com coração íntegro”.
ועוד שגם הריח וידיעת המציאות הוא הארה מבחי׳ פנימיות התורה כו׳ (וע׳ בזהר פ׳ אחרי דע״ג20 א׳ תלת דרגין כו׳ וכל חד דרגא על דרגא סתים וגליא כו׳ ע״ש ועמ״ש מזה ע״פ כי קרוב אליך21 הדבר)
Além disso, o aroma e o conhecimento da existência também são um vislumbre do nível da dimensão interior da Torá, etc. (E veja o Zohar, Parshat Acharei, 73a: “três níveis”, etc., “e cada nível, por sua vez, oculto e revelado”, etc.; veja ali; e veja o que está escrito a esse respeito sobre “Pois a palavra está muito próxima de ti”.)
Além disso, até mesmo esse conhecimento da existência é um vislumbre da dimensão interior da Torá. O Zohar fala de três níveis, cada um oculto e revelado.
Portanto, é preciso haver os dois níveis: “por causa do aroma de teus óleos”, etc., e “óleo derramado”, etc.; e disso resulta “por isso, as donzelas Te amam”, como mencionado acima.
Por isso, ambos os níveis são necessários: aroma e óleo derramado, Escritura e Cabalá, bem como Mishná e Talmud. Juntos, eles levam a que “as donzelas Te amem”: até os corações fechados chegam a amar D'us.
O parágrafo 10 relaciona o versículo às três partes do estudo da Torá: Mishná e Talmud, cuja sabedoria é apreendida, são “óleo derramado”; Escritura e Cabalá, cujas profundezas não são apreendidas, são “aroma”, proveniente de uma fonte ainda mais elevada. Ambos são necessários e, juntos, levam até as “donzelas” a amar D'us.
A classificação do Zohar e de Etz Chaim como “um terço em Escritura” é desenvolvida longamente em Likkutei Torah, Vayikra 5c. Ali se explica que a Cabalá está em Atsilut e, portanto, só é conhecida quanto à sua existência, enquanto a Mishná e o Talmud estão revestidos em Beriá e Yetsirá e, por isso, são apreendidos em sua essência. O Kuntres Acharon do Tanya também sustenta que o conhecimento da cadeia descendente é uma mitsvá separada e muito grandiosa, que conduz a um coração íntegro.
Marei mekomot
- 1לעולם ישלש אדם תלמודו · Kiddushin 30a:10–11
- 2משיג ותופס . . חכמתו ית׳ · ראה תניא פרק ה. ובליקוט פירושים ומ״מ — חיטריק שם.
- 3ואלה כו׳ בארץ אדום · Genesis 36:31
- 4ואין יוצא מידי פשוטו · Shabbat 63a:14–15
- 5ובזהר שם (דקמ״ט ע״ב) · Zohar, Beha'alotcha 4:20–6:29
- 6ובפרדס שער כ״ז פ״א · Pardes Rimmonim 27:5
- 7שמן משחת קדש · Exodus 30:31
- 8דההוא מלה דההוא ספור לאו לאחזאה על גרמיה בלבד קא אתי אלא לאחזאה על ההוא כללא קאתי · Zohar, Beha'alotcha 3:13–4:20
- 9ושניהם כאחד טובים · Ecclesiastes 11:6
- 10והנה לימוד הזהר וכהאריז״ל · Leviticus 5:3
- 11ופירש״י בפ״ק דברכות (די״א ע״ב) שמדרש הוא קרוב למקרא · Rashi on Berakhot 16b:1–18a:1
- 12ואף שבהלכות ת״ת · לאדה״ז פ״ב ה״א.
- 13וה״ז כעין לימוד המקרא . . בלימוד הזהר וע״ח · בלקו״ש ח״ל ע׳ 173 בהערה 43 מבאר ”שאפשר להיות ג״כ לימוד פנימיות התורה ע״ד לימוד הלכות פסוקות שבמשנה ותלמוד — שליש במשנה”.
- 14ומתורץ בזה מ״ש הר״ן · Leviticus 5:3
- 15באגה״ק קרוב לסופו · בקו״א ד״ה להבין מ״ש בפע״ח (קנו, ב). [כ].
- 16השיג · בקו״א שם ”משיג”.
- 17מצוה רבה · וכ״ה בקו״א שם, אבל לעיל ויקרא ה ”רמה” וראה בהערות ותיקונים לכ״ק אדמו״ר לקו״א, ובליקוט פירושים ומ״מ — חיטריק לשם.
- 18וידעת היום · Deuteronomy 4:39
- 19דע את אלקי אביך · I Chronicles 28:9
- 20וע׳ בזהר פ׳ אחרי דע״ג א׳ תלת דרגין · Zohar, Achrei Mot 49:296–50:305
- 21ע״פ כי קרוב אליך · לעיל נצבים מו, א.
- 22לריח שמניך · מאמר זה נאמר בשבת פ׳ כי תצא שנת תקס״ג — ראה רשימת המאמרים בסה״מ תקס״ג ח״ב (מס׳ 131). הנחת כ״ק אדהאמ״צ ממאמר זה נמצא בס׳ מאמרי אדה״ז — על נ״ך ע׳ יח, ובע׳ נ. המאמר עם הגהות אחרות במאמרי אדה״א נ״ך ע׳ רב ומיוסד על מאמר זה.
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Terminou o maamar?
Marque-o como estudado; ele conta para a semana e para o siyum do ano.
Na avodá
A pessoa que contempla a grandeza de D'us e não sente nada não deve desesperar: deve humilhar-se, reconhecer quão distante está e desejar apegar-se a D'us; acima de tudo, deve continuar estudando Torá, tanto as leis que consegue compreender quanto a Escritura e os ensinamentos interiores que não consegue compreender, pois a fonte da Torá é suficientemente elevada para gravar-se até em um coração selado.
Perguntas para conversar
- Por que a contemplação (“vinho”) pode mover algumas pessoas, mas não outras, e por que a Torá (“óleo”) pode alcançar até um coração selado?
- Como a imagem do óleo derramado de um recipiente virado para baixo explica a raiz elevada das letras e leis da Torá?
- Qual é a diferença entre cavalgar o “cavalo” das letras e envolver nelas a própria Chochmá, Biná e Daat?
- No parágrafo 6, a fragrância provém de uma fonte mais elevada que o óleo derramado, enquanto no parágrafo 7 ela é um fluxo inferior e exterior. Como o parágrafo 10 concilia as duas leituras?
- Por que o Alter Rebe inclui o estudo do Zohar e do Etz Chaim sob “um terço de Escritura”, e que valor atribui a conhecer apenas a existência dos níveis mais elevados?